Vitória petista abre discussão em torno da reforma ministerial

A disputa eleitoral na Câmara produziu um perde e ganha entre os partidos que poderá afastar ou aproximar as siglas do mercado da reforma ministerial prevista pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora não tenham deixado de ser da base governista, PCdoB e PSB podem sair da disputa desta quinta-feira com suas imagens "arranhadas" e ver suas chances de ganhar mais espaço no governo Lula reduzidas a pó. O racha na base governista, e que afastou - ainda que apenas temporariamente, segundo asseguram líderes partidários - PCdoB e PSB do PT de Lula, fruto da disputa a contragosto do Planalto entre Aldo Rebelo (PCdoB) e Arlindo Chinaglia (PT), pode levá-los a perder espaço no governo. Atualmente, o PCdoB ocupa apenas um ministério, o dos Esportes com Orlando Silva. O partido deve manter o cargo mas praticamente perdeu a oportunidade de abocanhar pelo menos mais um posto, o que dava quase como certo tivessem os planos do partido e do presidente Lula - que tinha como candidato à presidência Aldo - dentro do script. A situação do PSB é um pouco pior. Com dois ministérios - o da Ciência e Tecnologia e o da Integração Nacional -, pode ver seu espaço no segundo mandato reduzido a um único posto e que, muito provavelmente, não será nenhum dos dois ocupados no momento. Pesa ainda contra o PSB o fato de o PMDB - primeiro partido a declarar apoio a Chinaglia e que votou em bloco no petista - pleitear o ministério da Integração Nacional. O PMDB é tido como aliado fundamental na coalizão defendida e esperada por Lula em seu segundo mandato. Na outra ponta, saem fortalecidos com a vitória de Chinaglia, além do PMDB, o PR - antigo PL -, o PTB e o PP. Os três partidos ficaram conhecidos na legislatura que se encerrou como as ´siglas dos mensaleiros´ por abrigar deputados envolvidos no escândalo do mensalão. O PT que fez o novo presidente da Casa também sai fortalecido. Seus líderes não deixavam de transparecer a alegria em ver Chinaglia no comando da Casa e, com ele, o moral elevado para brigar com o Planalto para abocanhar outros dois ministérios - Saúde e Cidades - além dos 15 que já possuem. Oposicionistas de carteira, PFL, PSDB e PPS - que apoiaram a candidatura do tucano Gustavo Fruet (PR) à Presidência da Câmara - saem como entraram.

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