André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Vitória eleitoral de aliados dá força a reformas

Segundo parlamentares da base da governo Temer, derrota do PT nas urnas e vitória de candidatos a prefeito que defendem gestão austera devem facilitar aprovação da PEC que fixa limite para gastos públicos, que deve ir a plenário na próxima semana

Ricardo Brito e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - O resultado nas eleições municipais de partidos aliados do presidente Michel Temer deu fôlego para o avanço da agenda de reformas no Congresso, avaliam parlamentares que integram a base do governo.

Segundo a análise de congressistas, a derrota do PT nas urnas, principal partido de oposição, e a vitória de candidatos a prefeito que defendem uma gestão austera, como João Doria (PSDB), em São Paulo, devem facilitar a aprovação da PEC que fixa um limite para os gastos públicos, a primeira grande reforma do governo após o impeachment de Dilma Rousseff. A proposta deve ir ao plenário na próxima semana.

O primeiro teste de compromisso da base com a pauta de Temer após a disputa municipal ocorreu na noite desta quarta-feira, 5, durante a votação do texto principal do projeto que acaba com a obrigatoriedade da Petrobrás ser operadora única do pré-sal. Dos 394 deputados votantes, 292 votaram a favor da proposta – 75%. Seis partidos – PSDB, DEM, PRB, PSC, PPS e SD – votaram integralmente favoráveis ao projeto e outros da base, como PMDB, PP, PR e PSD tiveram raras defecções.

Ao longo da semana, o governo obteve uma série de demonstrações de apoio à PEC do Teto de Gastos. Sete partidos – que representam 266 votos – fecharam questão a favor da proposta. Ainda há apoios a conquistar, uma vez que são necessários 308 votos. Na comissão especial, o parecer do relator, Darcísio Perondi (PMDB-RS), foi aprovado no início da noite de ontem por 23 votos a 7.

‘Consequência’. Para o senador José Aníbal (PSDB-SP), essa postura da base é “consequência direta” das urnas. “As eleições disseram isso claramente”, afirmou. Segundo ele, o eleitorado quer que os governantes tenham uma gestão austera e comprometida com gastos públicos e a PEC tem de refletir essa percepção.

Para o presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), o resultado das urnas facilita o encaminhamento do ajuste no Congresso. Mas ele disse que, apesar das críticas do PT de que as reformas vão retirar direitos dos brasileiros terem sido rechaçadas pelas urnas, ainda é preciso convencer a sociedade da necessidade das medidas.

Para tucanos, o resultado das urnas alçou o PSDB ao posto de maior vitorioso do processo eleitoral, fazendo com que Temer respeite ainda mais a sigla e a leve à condição de principal partido da base. “Os partidos da base são mais protagonistas e se consolidaram com o resultado das eleições. Agora cada partido é o governo e o sucesso do governo é o sucesso do partido”, disse o líder do PSD na Câmara, deputado Rogério Rosso (DF). 

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