Vitória de Sarney deu fôlego a figuras do passado, diz analista

Após ex-presidente assumir Senado, Renan voltou à cena fortalecido e ajudou Collor a ganhar poder na Casa

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

07 de março de 2009 | 10h30

Com a eleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado, em janeiro, figuras que estavam adormecidas na esfera da política brasileira voltaram à tona em posições de destaque - como a vitória de Fernando Collor (PTB-AL)para comandar a comissão de Infraestrutura da Casa. Ele conseguiu voltar à cena política elegendo-se presidente da estratégica Comissão após derrota a petista Ideli Salvatti (SC), por 13 votos a 10.   Veja também:  Collor: Da vitória sobre Lula em 1989 à cassação em 1992  Conheça trajetória de José Sarney, novo presidente do Senado De Collor a Lula, Renan sabe quando entrar e sair de cena  Vitórias de Collor e Sarney foram 'lições', diz Lula   "A eleição do presidente José Sarney, com toda heterogeneidade trouxe de volta e deu fôlego novo para personalidades que saíram um pouco do primeiro plano mas sempre estiveram na órbita na poder. A eleição de Collor só foi possível dentro desta aliança", afirma a pesquisadora e cientista política da Universidade Federal do Maranhão, Arlete Borges.   Para ela, um resgate histórico de Sarney e Collor mostraria incoerência nesta escolha. "Se fôssemos cobrar coerência, todo mundo lembra como foram tensas as relações Collor-Sarney (à época da disputa presidencial). Como Collor sustentou sua campanha presidencial em torno de críticas contundentes ao governo Sarney. A própria senadora Roseana (senadora e filha de Sarney), que foi muito ativa no processo que resultou no impeachment. Se fosse por histórico de alianças e proximidades, não encontraríamos muita explicação. Mas governismo também tem essas proezas".   Arlete cita também o retorno de Renan Calheiros (PMDB-AL) a cena, pouco mais de um ano após o escândalo que o tirou da cadeira que hoje Sarney ocupa. Acusado de pagar pensão a uma filha com dinheiro de lobista, o senador do PMDB renunciou para não ser cassado - e, agora, é o líder do partido no Senado. "A própria situação de Renan Calheiros, que esteve no alvo de uma situação de muita turbulência, questionamentos. No entanto, neste grande arranjo (com eleição de Sarney) ele volta - e com poder".   Para a analista, os políticos não se pode responsabilizar o retorno de velhos políticos "apenas a acordos palacianos". É preciso levar em conta a participação da sociedade nestas eleições. "Temos de pensar como os eleitores escolhem seus representantes. Quem elege são os eleitores- não estou os responsabilizando mas é importante chamar para este fato. Estes políticos nunca estiveram de todo afastado, mantiveram bases regionais consolidadas e contaram com esses arranjos políticos. (Mas) e eleitor continua elegendo e reelegendo essas figuras".

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