Vitória de João Henrique fortalece Geddel na Bahia

Com a conquista de Salvador, PMDB emplaca 114 das 418 prefeituras do Estado e [br]ministro da Integração já admite disputar sucessão de Jaques Wagner em 2010

Tiago Décimo, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2008 | 00h00

Embalado pelo bom desempenho de seu partido, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), já admite disputar o governo da Bahia. A série de triunfos no Estado, onde o PMDB conquistou 114 prefeituras de um total de 418, foi coroada ontem com a reeleição do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, com 58,46% dos votos válidos. A declaração foi feita durante festa, na sede do diretório estadual da legenda, para comemorar a reeleição. "Seria hipócrita dizer que não quero ser governador do meu Estado", afirmou. "Mas não tenho obsessão. Sou um empregado da prefeitura em Brasília."O resultado da eleição tende a estremecer a aliança estadual entre seu partido e o PT. Os dois tornaram-se aliados para derrotar a supremacia do então PFL - atual Democratas (DEM) - no governo do Estado, em 2006, mas durante a campanha municipal deste ano trocaram fortes ataques.João Henrique agradeceu os votos recebidos (753.487), que, de acordo com ele, conferem a responsabilidade de realizar uma "administração ainda melhor, sem varrer os problemas para baixo do tapete", o que, afirmou, era "paradigma" na cidade. Ele aproveitou a festa para alfinetar o PT. "Uma coisa é certa: não vou ter mais partidos me boicotando dentro do meu governo", disparou, em alusão ao fato de o PT ter abandonado sua administração para lançar candidatura própria. "Deus me colocou esse desafio no primeiro mandato, conseguimos passar por ele, mas aprendi e não vou mais repetir esse erro."Em um rápido pronunciamento, o candidato derrotado, Walter Pinheiro (PT), disse considerar sua campanha vitoriosa e prometeu, como deputado, "continuar colaborando" com Salvador e com a Bahia. Ele não deixou de também desferir um último ataque contra João Henrique. "Salvador vai precisar de muita boa sorte nos próximos quatro anos", disse. Com 535.492 votos (41,54%), Pinheiro ficou cerca de 200 mil votos atrás do peemedebista na disputa pela capital baiana.PANOS QUENTESNa avaliação de Geddel, os conflitos entre o PMDB e o PT na cidade "já passaram". "Haverá o momento certo de sentar e conversar, até porque não há sectarismo." O governador Jaques Wagner (PT) reafirmou sua contrariedade com o tom da campanha, mas também deixou a porta aberta para uma reaproximação. "Claro que não fiquei satisfeito, nem concordo com a forma como meu governo e meu partido foram atacados", disse. "Mas, passada a campanha, vamos voltar a conversar." Na análise do governador, a vitória de João Henrique tem uma causa principal. "O cálculo é simples: o João Henrique teve 31% dos votos no primeiro turno, o ACM Neto (DEM) teve 26%, 27%, e agora o João teve 58%", calcula. "Ou seja, me parece que o ACM Neto conseguiu transferir seus votos quando anunciou o apoio", avaliou.Ontem o deputado federal ACM Neto, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, acenou com a possibilidade de reeditar a aliança com o PMDB: "Assim como fizemos uma aliança com o PMDB no segundo turno de Salvador, podemos traçar esse caminho para 2010, tanto nas eleições estaduais quanto nas presidenciais."FRASESACM NetoDeputado federal, DEM"Assim como fizemos uma aliança com o PMDB no 2.º turno de Salvador, podemos traçar esse caminho para 2010 nas eleições estaduais e presidenciais"Jaques WagnerGovernador da Bahia, PT"Claro que não fiquei satisfeito com a forma como meu governo e meu partido foram atacados"

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