Vitória consolida liderança de Maia no Rio, dizem analistas

O principal resultado das eleições municipais no Rio de Janeiro é que César Maia (PFL) se consolida como a maior liderança política da cidade. Além disso, o prefeito ganhou ainda mais força, porque não precisará das desgastantes negociações políticas que ocorreriam caso houvesse um segundo turno.A análise é do historiador Carlos Eduardo Sarmento, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Sarmento também aponta que dificilmente o prefeito reeleito deixará o cargo para disputar as eleições ao governo do Estado em 2006. Para ele, se Maia optar por uma disputa eleitoral daqui a dois anos, ela se dará na presidência da República, como vice ou em articulação mais ampla numa chapa PFL-PSDB. O cientista político Marcos Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), concorda com Sarmento, mas ressalva que uma das principais características de Maia é "ser imprevisível". Ele considera que, mesmo que Maia não concorra diretamente ao governo do Rio, ele deverá articular para criar uma frente alternativa ao grupo do peemedebista Anthony Garotinho.PT no RioSe o prefeito César Maia conseguiu se reafirmar nesse pleito, para PT do Rio foi bem diferente. O partido, que tradicionalmente contava com cerca de 15% dos votos na cidade, não ultrapassou 6,3% nestas eleições com a candidatura de Jorge Bittar, em desempenho bem pior para o partido do que o registrado em outros grandes centros do País. Mas o futuro da esquerda na cidade ainda é uma grande incógnita, avalia Marcos Figueiredo. Para o cientista político, o péssimo resultado para o PT no Rio está relacionado a dois fatores: o distanciamento do PT local, mais à esquerda, do partido nacional e a "saída de cena" da ex-governadora e ex-ministra Benedita da Silva, que sempre obteve muitos votos na cidade e "se retirou completamente" neste pleito municipal. Figueiredo lembra que o PT sempre teve dificuldades no Rio por causa da força do contraponto do PDT de Leonel Brizola, muito forte na capital fluminense. Além disso, o PT do Rio "sempre esteve muito mais a esquerda" do PT nacional, o que se agravou após a eleição de Lula para a presidência da República.

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