Vítimas em três décadas

Os crimes contra prefeitos paulistas

Leonencio Nossa - O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 16h00

Edgard Máximo Zamboto

Em 1979, o prefeito de Jarinu, Edgar Máximo Zamboto, da Arena-2, saía da prefeitura quando foi abordado pelo empresário Marcos Bruno Censi, que disparou um tiro em sua direção. Zamboto levantou o braço esquerdo numa reação de defesa. O empresário deu outro tiro que acertou a mão do prefeito e mais outro que atingiu sua veia aorta. Zamboto caiu. Censi ainda deu mais dois tiros. À polícia, o empresário alegou legítima defesa e sustentou a versão de que o prefeito estava com um revólver e o ameaçou de morte. A polícia concluiu que Zamboto não usava arma naquele dia e destacou no inquérito que o empresário tinha interesse político na morte do prefeito.

José Oliva de Melo Junior

O popular José Oliva de Melo Junior, o Zezé Oliva, foi o único prefeito paulista que venceu a eleição no período democrático depois de sua morte. Assassinado num comício a três dias do pleito de 1998, em Biritiba Mirim, ele teve o nome escolhido pela população para chefiar a prefeitura. Como as cédulas já estavam prontas, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo aceitou repassar os votos dele para o candidato a vice em sua chapa, Jairo Molina. Um neto de Zezé Oliva, Carlos Alberto Toina, ocupou o cargo de vice.

Geraldo Barbosa de Almeida

O prefeito de Arujá, Geraldo Barbosa de Almeida (PMDB), deixava a prefeitura com a mulher, Eliana Negrão, na noite de 6 de fevereiro de 1990, quando três homens encapuzados se aproximaram e dispararam sete tiros. O vice-prefeito, João Pedro dos Santos, o João Baiano, assumiu a prefeitura. Ele chegou a ser acusado de ser o mandante do crime, pois havia formalizado, pouco antes, denúncia contra o prefeito por racismo. A Justiça, no entanto, o absolveu em 2009, dezenove anos depois do crime.

Mitharo Tanaka

Na noite do sábado, 9 de abril de 1983, o prefeito de Campo Limpo Paulista, Mitharo Tanaka (PMDB), participava de um churrasco em casa quando foi atender à campainha. Ao abrir a porta, levou quatro tiros de revólver. A polícia apontou Alcebíades Grandizoli, o Pardal, candidato do PDS derrotado na eleição municipal do ano anterior, como mandante do crime. Pardal foi visto momentos depois dos disparos perto do corpo de Tanaka. À polícia, ele disse que passava pelo local e foi prestar socorro. Pelas investigações, Pardal, ex-administrador regional da Freguesia do Ó, no governo Paulo Maluf, quis eliminar Tanaka para forçar nova eleição. Pardal morreu em 1994 sem ir a julgamento. Parentes de Tanaka disseram que o prefeito recebera telefonemas com ameaças. Ele teria sido forçado a renunciar ao cargo de prefeito.

Fernando Ramirez

Na manhã de 22 de setembro de 1998, o prefeito de Monções, Fernando Ramirez (PSDB), seguia em um Fusca para buscar leite em sua fazenda, no interior do município, quando parou numa ponte de madeira cheia de paus e pedras. Nesse momento, ele foi dominado e rendido por um desconhecido. O corpo do prefeito, com perfurações causadas por oito balas, foi encontrado à noite em um Fusca perto de Araçatuba. O vice-prefeito da cidade e escrivão de polícia Edson Luís Vieira (PFL) disse em entrevista que estava com medo. No entanto, antes de assumir o cargo, foi preso e acusado de ser o mandante do crime. Ficou um ano na prisão.

Gilberto Soares dos Santos

Na madrugada de 10 de outubro de 1998, o prefeito de Igarapava, Gilberto Soares dos Santos (PSDB), o Giriri, foi retirado de sua casa por quatro homens, dois deles encapuzados, e levado para a Via Anhanguera. À margem da pista da rodovia, ele levou 11 tiros, três dos quais na cabeça. O vice-prefeito Sérgio Augusto Freitas (PSDB) chegou a ser apontado como mandante, mas foi absolvido pela Justiça. A investigação concluiu que a morte do prefeito atendia a interesses de políticos e empresários da cidade, envolvendo até acertos de dívidas. A decisão de Giriri e Sérgio Augusto de disputarem juntos a eleição municipal de 1996 causou surpresa entre os eleitores da cidade. Eles representavam duas famílias rivais em Igarapava desde o golpe militar de 1964. Os Santos eram ligados ao MDB e os Freitas, à Arena. Desde que assumiu o comando da prefeitura de Igarapava, Giriri não teria cumprido acordos de nomeações políticas de aliados do grupo do vice-prefeito. Um empresário, Fued Maluf, foi julgado pela morte do prefeito.

José Carlos Arruda

O prefeito de Rio Grande da Serra, José Carlos Arruda (PRP), o Carlão, foi sequestrado na porta de casa no dia 1o de abril de 1998. Três dias depois, seu corpo foi encontrado com cinco perfurações e ferimentos na cabeça. A polícia chegou a prender vereadores da cidade supostamente envolvidos. O vereador Valdir Mittertein pegou 14 anos de reclusão. Outro vereador, Ramon Velázques, teve o processo arquivado. O presidente da Câmara Municipal, Ezequiel Oliveira, foi absolvido pela Justiça pelo crime.

Walderi Braz Paschoalin

Ao chegar aos estúdios da Rádio Astral, na cidade de Jandira, para gravar um programa, o então prefeito Walderi Braz Paschoalin (PSDB) foi fuzilado, por quatro pistoleiros. Era o dia 10 de dezembro de 2010. Wellington Marins, motorista do prefeito, também foi atingido e, seis meses depois, também morreu.

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