Vítima de seca vive com R$ 0,10 por dia, diz prefeito

Bernardo Amorim (PMDB), prefeito de Almino Afonso, município do oeste do Rio Grande do Norte distante 339 quilômetros de Natal, disse hoje que as cestas de alimentos que o governo federal tem distribuído para os flagelados da Seca representam um "investimento" de 10 centavos de real por pessoa. "Tendo por base uma família média de quatro pessoas e o custo da cesta de R$ 12, aproximadamente, as pessoas terão 40 centavos por dia. A cesta, observa o prefeito, reúne 40 mil calorias para serem consumidas em um mês. "Ora, uma família desse padrão necessita de 10 mil calorias por dia", critica Amorim, que diz estar baseado em pareceres de nutricionistas. Diretor da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Fermurn), Amorim é um dos líderes do protesto de prefeitos norte-rio-grandenses contra a diminuição da quantidade de cestas básicas destinadas pelo governo federal para o Nordeste. "Em Almino Afonso, necessitamos de 600 cestas, como vamos explicar aos famintos que várias famílias vão ficar com fome, pois o governo só destinou 311 cestas", disparou. Em Caraúbas, a 309 quilômetros de Natal, das 3 mil cestas necessárias para diminuir a fome no município, apenas 1.200 foram repassadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).O prefeito acha que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, tenta manipular a opinião pública ao dizer que os prefeitos estão boicotando as cestas. "Não precisamos de esmola", acrescenta Amorim ao afirmar que passou toda a responsabilidade pela condução do processo de distribuição de alimentos para uma comissão municipal de defesa civil. "Não sou contra a remessa de alimentos, apenas defendo mais alimentos e até envio de recursos financeiros para amenizar o drama de milhares de famílias no Estado", frisou Amorim."Crianças de 6 meses a 2 anos de idade não comem milho e sardinha e o pessoal que montou a composição das cestas deveria ter observado e inserido alimentos mais adequados", observou. O prefeito de Almino Afonso tem sido o principal crítico do programa de entrega de cestas do governo federal. Na semana passada, ele disse que cada membro de uma família de flagelados teria de se contentar com 20 caroços de feijão por dia.

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