Vítima de bomba em 1968 cobra decisão de Lula e Genro

Inconformado com a "omissão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Justiça, Tarso Genro, o ex-piloto Orlando Lovecchio Filho, de 62 anos, fez duras críticas a uma manifestação da Comissão de Anistia do ministério sobre o caso dele, o que descreve como "informação ultrapassada". Às vésperas do aniversário de 40 anos da explosão de uma bomba, em 1968, contra o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Lovecchio Filho, corretor de imóveis de Santos (SP), ficou indignado ao saber que o suposto líder do atentado que lhe custou a perna esquerda, Diógenes Carvalho Oliveira, ganhou uma aposentadoria de R$ 1,63 mil mensais, superior ao benefício dele, de R$ 571,00 por mês."A grande verdade é a seguinte: a Comissão de Anistia não me deve nada, não tem de se manifestar; quem me deve são a Presidência da República e o Ministério da Justiça, que não responderam as cartas que eu mandei", relatou Lovecchio Filho, que divulga na página que mantém na internet (www.exibir.com/p) uma série de documentos, leis e a cronologia das cartas enviadas por ele.A manifestação da comissão a qual Lovecchio Filho se refere é o comunicado de esclarecimento publicado na página do Ministério da Justiça no dia 14. Nele, a comissão informa que há "impropriedades jurídicas flagrantes" nas reportagens publicadas pelos meios de comunicação social que comparam as aposentadorias dele com a de Oliveira. O texto também justifica a Lei de Anistia e o processo de cinco anos que incluiu o acusado de ser o autor do atentado como beneficiário."Eu pleiteei a minha inclusão na lei em 2002, em 2004, eles negaram, aí eu desisti. Agora, se eu quiser contestar ou não a decisão, isso é um problema futuro. Eu não tenho nada contra a lei ou contra o Diógenes; o que eu me refiro é à diferença de tratamentos." Lovecchio Filho argumentou ainda que a "diferença" também fica clara na atenção e tempo dados para cada caso.LeiDe acordo com o ex-piloto, a lei que assegura o benefício foi feita em 2001 e tramitou por três anos antes de ser aprovada, e a de Anistia foi aprovada poucos meses após a apresentação da medida provisória (MP) 65/2003, que a instituiu. "No Brasil de hoje, é imoral a inversão de valores, pois o bandido é tratado como mocinho e o cidadão comum, excluído e desamparado pelo governo, que se dane", afirmou.Agora, a esperança de Lovecchio Filho pode vir por meio do Projeto de Lei 1279/2007, do líder do PSB na Câmara dos Deputados, Márcio França (SP), que na quinta-feira obteve parecer favorável do relator da Comissão de Seguridade Social e Família, Ribamar Alves (PSB-MA). Baseado no princípio da isonomia e igualdade de direitos, a lei prevê reparação econômica indenizatória em prestação mensal, permanente e contínua.

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