Visita 'rápida'

Tédio toma conta do caminho, homogêneo, mas o trajeto é tranquilo

Roberto Almeida, enviado especial à Amazônia,

06 de dezembro de 2009 | 18h04

Depois do almoço no dia 2, a saída de voadeira. Chuva veio umas três vezes no caminho. A primeira foi a mais forte delas. Quando começava a secar, vinha outra para encharcar. E faltavam ainda 400 quilômetros até o destino, o Posto Indígena de Vigilância e Proteção da Funai (Pivip), no rio Jandiatuba.

 

 

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Por volta das 16 horas, a tarrafa caiu na água. Duas dúzias de peixe vieram e estava garantido o jantar e o almoço do dia seguinte. Uma hora depois, parada no tapiri do "seu Chico", à beira do rio, para montar acampamento.

 

Chico não estava lá para contar história. Seu tapiri tem 9 m2, teto de sapê, duas faces de madeira, duas totalmente abertas. A lenha foi cortada e o fogão foi montado para cozinhar os peixes. Uma boa quantidade de jaraquis.

 

Escuridão total, 20h30 todos dormindo que no dia seguinte 3h50 todo mundo de pé, desmontar acampamento, tomar café com pão, fritar o resto dos peixes para comer no almoço. Às 6h30, o Jandiatuba de novo.

 

Tédio toma conta do caminho, homogêneo, mas o trajeto é tranquilo. Ao meio-dia, sem parar o barco, almoçar o peixe. Agora não falta muito, mas o sol queima e o perigo de insolação cresce.

 

Com a voadeira pesada, o chefe Rieli decide esconder no mato galões de gasolina, marcados com GPS, para buscar depois, na volta. E serviram para reabastecimento.

 

No fim da tarde aparece a base do Jandiatuba. Seis quartos, sala de TV, refeitório e mais instalações. Equipe passa ali dois meses a fio, com 10 dias de folga. Anderson "Popeye", um deles, pescava e trouxe caldeirada para o povo. A TV com parabólica hipnotizou até que dormir não era opção.

 

Dia seguinte, sexta-feira 4, todos de pé, café com pão, e José, o outro mateiro, terminava de preparar um barco novo. Fácil seria não fosse ataque de piuns, mosquitos minúsculos, que deixam bolha de sangue na picada.

 

As horas correram na passada de piche, no arrastar do casco para a água e na tentativa de colocar motor. Não deu certo, pesou, e o barco empinou demais.

 

Bom que foi tranquilo, porque no sábado 5 a equipe levantou às 3h para voltar ao barco parado. Às quatro na voadeira. E pelas 13 horas seguintes, sem parar, ela riscou o Jandiatuba com sol e com chuva até reencontrar Kukahã.

 

Dados sobre o trecho:

 

Tempo total de viagem

30 horas

Distância percorrida

830 km

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