Visita de príncipe mobiliza 200 policiais no RJ

Um forte esquema de segurança, formado por mais de 200 homens das polícias Civil e Militar, marcou a visita do príncipe Charles de Windsor, herdeiro da Coroa do Reino Unido, às favelas do Complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, na zona sul, no fim desta tarde. Na véspera, pela primeira vez em mais de um ano na região, um homem foi morto a tiros, o que provocou um protesto de moradores contra a ação policial, na rua Visconde de Pirajá, em Ipanema. Carros foram apedrejados, colchões, incendiados, e uma criança, ferida por uma pedra. Na visita de Charles, não houve incidentes.O secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, garantiu que o efetivo não foi reforçado. De manhã, porém, horas antes da chegada de Charles, o cônsul da Grã-Bretanha no Rio, Geoff Cowling, esteve no local, para verificar as condições de segurança. No domingo, Vitor Hugo da Silva, suposto traficante, foi morto com um tiro na nuca por policiais do 23.º Batalhão (Leblon). Em resposta, moradores desceram das favelas e promoveram a manifestação. Hoje, após meia hora trancado numa sala e de uma conversa telefônica com a embaixada britânica, em Brasília, o diplomata desfez o suspense: a programação de Charles estava mantida. "Tivemos uma conversa com os moradores e com a polícia. Está tudo tranqüilo", disse o cônsul, na saída, em português.Charles foi ao complexo para conhecer projetos sociais financiados por seu país. Um deles é justamente o Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae), da Polícia Militar, que recebeu R$ 93 mil do governo britânico para treinamento de pessoal. O projeto é considerado modelo pelo governo do Estado e, segundo as estatísticas, não havia registro de homicídios na comunidade desde sua implantação, há cerca de um ano e meio. O governo tem anunciado a intenção de estendê-lo a outras favelas e, para isso, quer treinar 13 mil PMs. No complexo, o efetivo do Gpae é de 105 homens. O comandante do grupamento, major José Augusto de Oliveira, afirmou que o caso não alteraria "em nada" o esquema de segurança montado para a visita do príncipe.Antes de ir às favelas da zona sul, Charles visitou o Centro de Defesa Ambiental da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O príncipe, que se atrasou 28 minutos, conheceu alguns equipamentos e procedimentos adotados pelo CDA para prevenir e combater acidentes ambientais. Charles é um defensor do meio ambiente e demonstrou interesse em conhecer o projeto, um dos nove CDAs operados na estatal pela Alpina Briggs Defesa Ambiental S.A., uma associação entre a Alpina Ambiental e a Briggs Environmental, uma empresa britânica. Durante os 25 minutos em que permaneceu no CDA, Charles ouviu explicações do diretor de Operações da Alpina Briggs, Joseph William Boyle, e ganhou uma camisa do Fluminense, dada pelo secretário estadual de Energia,Wagner Victer.Para a noite, o príncipe tem programada uma recepção no Hotel Copacabana Palace.

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