Visita a Fidel depende de aval dos médicos

Governo cubano ainda não confirmou o encontro

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de janeiro de 2008 | 00h00

Em sua primeira visita internacional deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende visitar na terça-feira o presidente de Cuba, Fidel Castro, mas até ontem o Palácio do Planalto não havia obtido a confirmação do governo cubano sobre a possibilidade do encontro. Fidel está afastado do poder há um ano e meio por motivos de saúde e o local de sua internação é mantido em sigilo. Desde que transferiu o cargo provisoriamente para seu irmão Raúl Castro, Fidel já recebeu visitas de várias autoridades, entre as quais o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "O presidente tem a intenção de se encontrar com Fidel Castro, de quem é amigo pessoal, mas nós sempre dependemos da opinião dos médicos quanto ao melhor momento da visita", afirmou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach. "Trata-se de uma questão que escapa da política", completou o assessor de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Lula chegará a Havana na segunda-feira à noite, depois de uma parada na Guatemala, onde participará da solenidade de posse do presidente Álvaro Colón Caballeros. O Brasil assinará vários acordos com Cuba. O que mais chama a atenção, até agora, trata de uma parceria entre a Petrobrás e o governo cubano para prospecção de petróleo. Desde 2003, a Venezuela de Chávez fornece petróleo subsidiado a Cuba em troca de serviços médicos. Mesmo após seu afastamento, Fidel já fez várias críticas à política de biocombustíveis do governo Lula, sob o argumento de que prejudica a produção de alimentos. A visita de Lula a Cuba estava prevista para novembro, mas foi adiada porque o presidente queria anunciar um pacote de acordos e o aumento das linhas de crédito para a ilha de Fidel. Constam da agenda bilateral, ainda, conversas sobre a construção de fábrica de lubrificantes e convênios para a produção de medicamentos e vacinas.QUEIXASDurante encontro ontem com embaixadores brasileiros em cerca de 70 países, no Palácio do Planalto, Lula queixou-se da falta de engajamento da máquina administrativa com as decisões de política externa, em especial as relacionadas com a integração da América do Sul. Ele eximiu o Itamaraty de críticas, mas disse que a burocracia do restante da Esplanada dos Ministérios não responde com rapidez aos acordos e atos firmados entre o Brasil e outros países. Repetida outras três vezes, sempre no início do ano, a reunião encerrou uma série de palestras organizadas pelo Itamaraty para os embaixadores que estão em férias no Brasil. A participação foi voluntária. COLABOROU DENISE CHRISPIM MARIN

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