Vírgilio volta a cobrar Renan, agora por pagamento a presidiário

Após discórdia sobre funcionário que foi para Austrália, líderes discutem sobre remuneração a servidor preso

Carol Pires, da Agência Estado,

16 de setembro de 2009 | 19h56

ArthurVirgílio e Renan Calheiros batem-boca no Senado. Foto: Andre Dusek/AE

 

BRASÍLIA - Os líderes do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), e do PMDB, senador Renan Calheiros (RN), voltaram a discutir nesta quarta-feira, 16, no plenário do Senado. Virgílio cobrou que Renan informasse o nome de um servidor, que, segundo o senador alagoano, foi preso e continuou recebendo salário da Casa por dois anos.    

 

Veja Também

linkSenado pagou assessor de Renan Calheiros na Austrália

 

O caso foi lembrado por Renan na terça-feira, em plenário, mas o senador não informou o nome nem o gabinete do servidor. "Quero saber se o senador Renan vai revelar o nome do senador que manteve um presidiário no Senado. Espero que o senador revele o nome do senador sob pena de prevaricar das suas funções", disse Virgílio.    

 

Cobrado por Virgílio nesta quarta-feira, Renan não revelou o nome do servidor e ainda ironizou. "Meu PMDB já recomendou a absolvição do senhor. O Conselho de Ética também", disse o parlamentar alagoano, referindo-se ao arquivamento da ação movida pelo PMDB contra Arthur Virgílio no Conselho de Ética.    

 

Virgílio respondeu a provocação de Renan dizendo que ele não lhe agradecia pelo arquivamento da representação, e cobrou do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), explicações sobre o servidor que foi preso e não teve o salário cortado. Sarney disse não saber do caso e foi criticado pelo tucano. "Aqui a melhor coisa é não saber de nada. Aqui é a República do eu não sei. Isso não leva o Senado a recuperação moral", disse.    

 

Troca de acusações    

 

Na terça-feira, em plenário, Virgílio acusou Renan de ter autorizado, quando presidente da Casa, o então funcionário Rui Palmeira a estudar na Austrália sem interromper o pagamento dos salários. A acusação é semelhante a feita pelo PMDB contra Virgílio no Conselho de Ética. A representação acusava o tucano de ter autorizado um servidor de seu gabinete, Carlos Alberto Andrade Nina Neto (já exonerado), a ficar 18 meses fazendo um curso de teatro na Espanha sem deixar de receber seus vencimentos pelo Senado.    

 

Arthur Virgílio assumiu o erro e devolveu R$ 210 mil aos cofres da Casa. Renan Calheiros, em contrapartida, não quis falar sobre o assunto em plenário e disse apenas que não compete ao senador fiscalizar a frequência dos servidores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.