Virgílio se diz 'estupefato' com denúncia sobre assessora

Um dia depois de abraçar carinhosamente Erenice Guerra, pessoa da maior confiança da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), afirmou estar "estupefato" com a denúncia de que a assessora do ministério seria a mentora de um suposto dossiê para ser usado contra a oposição. "Essa me enganou, me passou a perna", disse. Ele esteve ontem no Planalto para protocolar um ofício autorizando a divulgação de seus gastos durante sua gestão como ministro do governo tucano. Na ocasião, ele conheceu Erenice Guerra e conversou com o secretário particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho.O líder afirmou que foi recebido por "uma senhora bastante cordial, bastante educada, bastante elegante, chamada Erenice Guerra" e relatou a conversa que teve com a mulher considerada o braço direito de Dilma, acusada hoje, em reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, de fazer um suposto levantamento sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua esposa, Ruth Cardoso."Ela me disse: ''Senador, acredite - olhando nos meus olhos - acredite que eu estou investigando isso. Acredite que nós consideramos isso um fato lamentável. Acredite que isso aí é muito triste. Isso aí foi um fato que só serve para complicar as relações entre governo e oposição e a gente não quer isso''. Eu olhei para ela e disse: ''Olha, eu estou muito tocado com a forma como a senhora está se dirigindo a mim. Gosto muito das pessoas que olham nos olhos das pessoas, como a senhora está fazendo comigo", contou o senador."Conheci uma pessoa perigosa. Se alguém quisesse montar uma quadrilha e quisesse passar pelo aeroporto sem despertar suspeita de ninguém, poderia colocá-la à testa do negócio, porque ninguém ia suspeitar dela no aeroporto", afirmou. O tucano disse que gostou tanto do jeito de Erenice Guerra que se despediu com um abraço afetuoso "seguro de que estava diante de uma pessoa que não tinha mesmo o que temer nesse episódio". TelefonemaTanto Virgílio quanto o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disseram nos últimos dias que a ministra Dilma telefonou para Ruth Cardoso para falar do vazamento das informações sigilosas dos gastos do governo anterior, divulgadas pela revista Veja. "É claro que foi um ato de mídia, uma delicadeza, sim, que bom! Há tanta gente que diz que ela não é uma pessoa delicada, mas viu-se que é, ligou para a dona Ruth Cardoso. Esqueceu-se de dizer que dona Ruth disse: ''Mas quero, ministra, as minhas contas todas abertas. Eu quero os meus sigilos todos quebrados''", afirmou o líder. "E vamos descobrir, depois, que pode ter sido uma senhora farsa. A ministra, provavelmente, sabia o que se passava, ligando (para Ruth Cardoso) para resolver um problema político do governo. E aí é que vem a teia da democracia caindo como uma mosca", disse o senador do PSDB.

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