Virgílio propõe pacto de não-agressão entre governistas

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, ArthurVirgílio, defendeu hoje que os partidos da base governista selem um?compromisso de damas e cavalheiros? para evitar agressões no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002. O acordo teria como objetivo deixar as portas abertas para uma aliança no segundo turno.Embora reafirmando que o ideal, sob o ponto de vista do governo, sejadisputar as eleições com o PSDB, o PMDB e o PFL unidos em torno de um único nome, Arthur Virgílio disse que não seria ?pecado mortal?concorrer com candidatos diferentes. ?É aquele pecado que o papaperdoaria numa boa?, brincou o ministro-chefe.A menos de dez meses das eleições, o PSDB ainda não definiu quemdisputará a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Enquanto isso, todas as pesquisas eleitorais mostram a consolidação do nome da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), em segundo lugar. Ao propor um acordo de ?cavalheiros e damas?, Arthur Virgílio deixaclaro que sua preocupação com o risco de esfacelamento da base dogoverno passa pelo avanço da candidatura de Roseana, a única mulher do grupo de pré-candidatos. Ao defender um acordo de não-agressão de olho no segundo turno, o ministro-chefe também sinaliza a percepção de que está cada vez mais distante a possibilidade de união antes disso.Arthur Virgílio enfatizou que uma disputa acirrada e sem a preocupaçãode manter elevado o nível do debate pode criar constrangimentos parauma eventual aliança, em segundo turno, dos partidos da basegovernista. ?Uma coisa são as cúpulas se comporem e outra são asbases?, argumentou ele, temendo o desgaste de ataques pesados naprimeira fase da campanha.A disputa interna do PSDB para a escolha do candidato tucano envolvediretamente o ministro da Saúde, José Serra, e o governador do Ceará,Tasso Jereissati, tidos como os mais cotados para concorrer em 2002. Adefinição do nome deverá ocorrer até fevereiro, depois do carnaval,quando está prevista a pré-convenção do partido. Arthur Virgílio aproveitou para opinar sobre a escolha do candidato doPT, defendendo a realização de prévias entre Luiz Inácio Lula da Silva- o líder nas pesquisas de intenção de voto - e o senador EduardoSuplicy (SP). ?Seria bom para o PT ter mais de um nome?, disse oministro-chefe.Ao mesmo tempo em que defendeu as prévias no PT, Arthur Virgílioreafirmou que a pré-convenção do PSDB poderá servir apenas paraconsagrar um candidato escolhido antes do encontro. Essa, por sinal, éa intenção de boa parte dos cardeais tucanos.O ministro-chefe elogiou o presidente da Câmara dos Deputados, AécioNeves (PSDB-MG), cujo nome é citado como opção do partido para 2002, caso a candidatura de Serra ou Tasso não decole. Mas, segundo Arthur Virgílio, o futuro político imediato de Aécio passa por Minas, seja concorrendo ao governo do Estado ou a uma vaga como senador.

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