Virgílio propõe a FHC que libere sigilo de seus gastos

Os partidos de oposição vão definir uma tática conjunta para forçar os governistas a aprovar quebras de sigilo da Presidência da República na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões. Num primeiro momento, o PSDB já sabe o que fazer para constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a abrir seus gastos corporativos. O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), anunciou hoje que, diante da divulgação de um suposto dossiê sobre as despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher Ruth, está pedindo ao casal FHC que lhe envie uma autorização expressa para a quebra de seus sigilos. Com este documento em mãos, o líder vai cobrar do presidente que faça o mesmo e libere todas as informações sobre os gastos da família Lula da Silva cobertos pelo cartão. "Meu pedido a Fernando Henrique é para que não restem dúvidas de que não existe essa coisa de não me investiguem, que não te investigamos", disse Virgílio. O PSDB já tem o apoio do DEM para convocar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a dar explicações sobre o suposto dossiê, noticiado pela revista "Veja", na CPI dos Cartões, embora o Palácio do Planalto negue sua participação e a existência do dossiê. Democratas e tucanos também concordam com a avaliação de que o vazamento do dossiê foi um "tiro no pé" dos próprios governistas. "Se vazaram o dossiê para intimidar perderam tempo. Uma chantagenzinha não vai dobrar quem tem a obrigação de investigar e ainda jogaram fora o argumento da segurança nacional para manter os dados em sigilo", diz líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). Só amanhã, no entanto, o PSDB deve se reunir para definir um contra-ataque político e jurídico ao dossiê dos governistas. "As medidas exatas ainda estão sendo estudadas pelos advogados do partido, mas eu quero interpelar a ministra Dilma e esta interpelação pode ser judicial", insistiu Arthur Virgílio, que também planeja envolver o Ministério Público nas investigações que estão empacadas na CPI.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.