Virgílio faz denúncia contra senador ao Conselho de Ética

Líder tucano pede apuração sobre nomeação de parentes e apadrinhados

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

O líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), entrou ontem no Conselho de Ética com denúncia contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O tucano pede investigação sobre o número de parentes e afilhados políticos nomeados como funcionários do Senado. O PSOL também entra hoje com representação contra o presidente Sarney e o ex-presidente da Casa Renan Calheiros.Entre os 18 itens em que cita como passíveis de investigação, Virgílio defendeu apurações sobre José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, um dos donos da empresa Sacris, que faz intermediação para empréstimos com desconto em folha dos servidores do Senado."Como senador só posso apresentar denúncia. Mas vou pedir ao meu partido que entre com representação contra Sarney", afirmou Arthur Virgílio, que subiu ontem, pela segunda vez em uma semana, à tribuna do Senado para pedir o afastamento de Sarney.Para o tucano, Sarney "não tem a mínima condição moral de permanecer à frente da Casa". O PSDB se reúne hoje para decidir se engrossa formalmente o movimento de senadores que defende o afastamento de Sarney do cargo. Virgílio fez questão de ressaltar que sua denúncia contra Sarney era em "caráter pessoal" e não "como líder do PSDB".Em um duro discurso, o senador tucano voltou a atacar o ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, a quem acusou de corrupto e de tentar chantageá-lo. Insinuou ainda que Sarney faria parte do grupo de Agaciel. "Esse homem (Agaciel) é corrupto, assim como não presta todo mundo que está ao lado dele, a aconselhá-lo, assim como não presta todo mundo que se envolveu com ele, assim como não presta... Não acredito que ele tenha roubado sozinho. Ele roubou com gente de mandato. Ele roubou com gente influente da República", disse Virgílio.Irritado, o senador tucano afirmou que Agaciel "é cúmplice de um bando de senadores covardes, que não tem coragem de apresentar sua face". "Nós temos o dever de saber quais são esses senadores covardes, corruptos, que protegeram esse desmando o tempo inteiro, porque ele não ficou aí sozinho. Jabuti não sobe em árvore. Jabuti, quando está em árvore, ou é enchente ou é mão de gente. Então, tem senador, sim, que apadrinhou esse corrupto para fazer um roubo que não foi de usufruto apenas dele. Deve ter dividido com muita gente com assento e com mandato nesta Casa!", afirmou o tucano.Virgílio decidiu ir à tribuna para reagir à matéria publicada na edição desta semana da revista IstoÉ , na qual o ex-diretor do Senado teria informado que, em 2003, emprestou US$ 10 mil ao senador tucano, quando ele estava em viagem particular com a família em Paris. Virgílio admitiu ter pego o dinheiro - 3,3 mil euros, segundo ele, US$ 10 mil, de acordo com Agaciel -, que foi pago ao ex-diretor-geral do Senado por três funcionários do gabinete do tucano. Agaciel disse à Isto É que Virgílio nunca teria pago o empréstimo. Na mesma entrevista, o ex-diretor do Senado também teria informado que as despesas médicas da mãe do senador somaram R$ 723 mil. Viúva de ex-senador, ela teria direito a R$ 30 mil anuais de gastos com saúde pagos pelo Senado.O líder tucano também admitiu que Carlos Alberto Nina Neto, filho de seu amigo e subchefe de gabinete, Carlos Homero Nina, mesmo morando na Espanha por mais de um ano, continuou a receber salário. O tucano acusou Agaciel, Sarney e os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PTB, senador Gim Argello (DF), de estarem "por trás" das informações dadas à revista. "Não é verdade que tenha participado disso", reagiu Argello. ''FAVORES'' DE AGACIELEmpréstimos em dinheiroCom um empréstimo feito por Agaciel, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), pagou a conta de hotel em Paris, em 2003. Segundo o ex-diretor disse à revista IstoÉ, o empréstimo teria sido de US$ 10 mil e o tucano nunca teria devolvido o dinheiro. Ontem, na tribuna, Virgílio disse que o empréstimo foi de 3,3 mil, pagos a Agaciel por três funcionários de seu gabineteFretamento de aviõesAgaciel Maia permitia que senadores usassem a verba da cota de passagens aéreas para alugar/fretar jatinhos. Um dos beneficiados foi o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que, entre 2005 e 2007, teria gasto mais de R$ 300 mil da cota só com o aluguel de jatosDespesas médicasResponsável pela liberação de gastos médicos de senadores e seus familiares, Agaciel Maia permitiu que ex-parlamentares ultrapassassem os gastos limitados a R$ 30 mil ao ano. Teria sido o caso da mãe de Arthur Virgílio, Isabel Vitória de Matos Pereira, que era viúva de senador e morreu em 2006. Ela teria gasto R$ 723 mil com tratamento de saúde. Virgílio ficou de levantar os valores e entregá-los hojeContas telefônicasCom direito a dois telefones celulares, os senadores têm as contas pagas integralmente pelo Senado. Agaciel costumava fazer "vista grossa" para os gastos astronômicos. Entre 2 e 22 de janeiro, o senador Tião Viana (PT-AC) emprestou um dos telefones à filha em viagem de férias ao México. O total da conta, revelado pelo Estado, foi de R$ 14.758,07 - o senador pagou a contaNomeaçõesCom vagas de sobra na Diretoria-Geral do Senado, Agaciel tinha o hábito de empregar parentes de senadores em seu gabinete, caso não houvesse vagas no gabinete do parlamentar. Foi o caso, por exemplo, do senador Adelmir Santana (DEM-DF), cuja filha ficou primeiro empregada no gabinete de Agaciel, antes de ir trabalhar com o paiPassagens aéreasSem regras claras sobre o uso das passagens aéreas, os senadores distribuíam os bilhetes, inclusive para familiares fazerem viagens ao exterior. Um dos casos que vieram à tona foi do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que usou sua cota de passagens para viajar com sua namorada pelo Brasil e para Paris. Suplicy devolveu os valores das passagens usadas por ela

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