Virgílio elogia Mercadante; Genoíno critica

O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), afirmou nesta quinta-feira à Agência Estado que considera "um avanço" a declaração do deputado Aloizio Mercadante ao jornal Valor Econômico de que a oposição deve apresentar uma agenda para evitar uma crise política, mas fez a ressalva de que, "em termos específicos", os oposicionistas ainda estão "no Mobral" (antigo Movimento Brasileiro de Alfabetização)."Um discurso como este me cheira a marketing. O que fica implícito é que eles (oposicionistas) raciocinaram que o que está faltando para chegarem ao poder é credibilidade. Então, fazem essas afirmações para conseguir crédito junto à opinião pública", analisou.Acrescentou não ter visto na atuação do PT nada de prático que garanta uma mudança de atitude do partido em relação aos seus posicionamentos anteriores. "Se eles concordam com um Banco Central independente, estão aplaudindo o doutor Armínio Fraga (presidente do BC). Então, eles deveriam assumir isso, que estão aplaudindo o Armínio Fraga", ironizou."Eles precisam entender, no entanto, que precisam apoiar o processo de privatização e, para ter maioria sólida no Congresso, não basta que o PT se associe ao Quércia (o ex-governador paulista Orestes Quércia, do PMDB), como na eleição da Marta Suplicy (prefeita petista de São Paulo), nem que o Ciro (Ciro Gomes, presidenciável do PPS) tenha o apoio do PTB", afirmou Artur Virgílio.Com a observação de que um presidente da República necessita fazer alianças políticas que garantam a governabilidade, o deputado previu que, se o PT eleger o presidente da República "num momento emocional do País e não assegurar maioria sólida no Congresso, durará tão pouco quanto Collor."Na opinião de Virgílio, a postura de credibilidade que o PT está assumindo não é nova, pois o ministro da Fazenda, Pedro Malan, há tempos pede que o partido se posicione sobre a questão da estabilidade econômica."Com esse discurso, eles deveriam dizer: ´Ministro Malan, estamos atendendo à sua recomendação e assumindo uma atitude mais equilibrada´", cobrou o líder do governo no Congresso.De seu próprio partido, porém, Mercadante recebeu críticas. O deputado federal José Genoíno (PT-SP) afirmou nesta quinta-feira que não apóia a proposta de um Banco Central (BC) independente."Na situação que está o País, não se pode ter um BC independente", disse Genoíno que considerou o assunto "delicado e sensível: Vejo isso com muita cautela. Não acho que seja por aí", acrescentou.Ao contrário de outros políticos da oposição, como o candidato do PPS à presidência, Ciro Gomes, e o próprio Mercadante, Genoíno afirmou que também não considera o momento adequado para que se discuta a elaboração de uma agenda anticrise comum aos oposicionistas."Não acho que seja o momento de discutir isso. A crise não depende de nós (oposição). É fruto da incapacidade do governo. O papel de interferência (da oposição) é muito pequeno, porque o governo é muito arrogante", argumentou.

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