Virgílio desafia procurador a debater com Eduardo Jorge

Depois de alguns meses longe dos holofotes, o procurador da República Luiz Francisco de Souza voltou hoje a se envolver em polêmica, ao protagonizar um bate-boca com o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (PSDB-AM), durante audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle da Casa (CFC). O motivo foram as acusações de improbidade administrativa que o procurador faz contra o secretário-geral da Presidência no governo Fernando Henrique, Eduardo Jorge Caldas Pereira.Ex-líder do governo FHC no Senado, Artur Virgílio desafiou Luiz Francisco a participar junto com Eduardo Jorge de uma sessão da CFC para que "ou um ou outro saia desmoralizado" da guerra de informações que vêm travando. Luiz Francisco afirma que tem vários processos em andamento contra Eduardo Jorge. O ex-secretário, no entanto, sustenta que nenhum deles foi acolhido pela Justiça. O procurador diz que o ex-secretário se nega a abrir mão de seu sigilo bancário e Eduardo Jorge, que já encaminhou os extratos de suas contas à Comissão. "Ele mente quando diz que não há processos contra ele", afirmou o procurador. Eduardo Jorge, que acompanhou parte da sessão das cadeiras reservadas ao púbico, diz que foi lá "para se divertir", e que reza para que o debate entre os dois aconteça. Luiz Francisco diz que aceita, desde que as regras sejam combinadas de antemão, pois legalmente está impedido de revelar todas as informações que obteve nas investigações sobre o ex-secretário. "Não posso ir amordaçado para o debate", justificou.A polêmica acabou ofuscando o principal objetivo da audiência pública, que era informar os senadores sobre as investigações que o Ministério Público vem fazendo, junto com a Polícia Federal e outros órgãos do governo, a respeito de um esquema de remessa ilegal de divisas para o exterior que teria desviado cerca de US$ 30 bilhões entre 1996 e 1999. Acompanhado de duas procuradoras que também participam das investigações, Luiz Francisco disse que pretende processar o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco por ter tido uma atitude permissiva com o esquema. O procurador disse que também podem ser responsabilizados, "por conivência", a ex-diretora de Fiscalização do BC Tereza Grossi e o ex-diretor dá Área Internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira.O esquema se valia de doleiros e de contas CC5 (abertas por pessoas não residentes no País) em agências bancárias de Foz do Iguaçu. Dali o dinheiro seguia para a agência do Banestado em Nova York e era distribuídio para 37 mil contas diferentes em outras partes do mundo. Luiz Francisco disse ainda que a Procuradoria apóia a proposta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) de criar uma CPI para investigar as irregularidades.

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