Andre Dusek/AE
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Virgílio chama ex-diretores do Senado de chantagistas e ladrões

Líder tucano vai a plenário para pedir demissão de Zoghbi e Maia e diz que tem senadores por trás dos crimes

22 de junho de 2009 | 16h03

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), atacou o ex-diretor da Casa Agaciel Maia em discurso em plenário nesta segunda-feira, 22. Ele chegou a chamá-lo de ladrão e chantagista: "É a lógica do chantagista, acumular poder. Não tenho dúvida de que ele chegou aqui humilde, servindo. Duvido de que ele fez tudo sozinho, tenho certeza de que ele teve ajuda de senadores." Virgílio também atacou o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi: "Agaciel tem de perecer como homem público. Caso dele e de Zoghbi é de demissão. Não respeitaram a Casa que os abrigou como funcionários."

 

Virgílio também deu um recado ao presidente da Casa, José Sarney (AP): "Mas Sarney, lhe digo isso não com felicidade. Vossa excelência não precisa sobreviver, quem precisa sobreviver é o Senado". E disse que: "Se tiver senador envolvido nisso, precisa ir junto. Defendo a demissão." Ele acrescentou que a "quadrilha está costumada a mandar no Senado, dominando a vida dos senadores".

 

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Virgílio decidiu fazer o pronunciamento para esclarecer episódios que ocorreram com ele, os quais, de acordo com seu relato, poderiam se transformar em pretexto para chantagem contra ele por parte dos dois ex-diretores, que são acusados de prática de irregularidades no Senado e já foram exonerados dos cargos.

 

Os senadores que reivindicam mudanças profundas na administração e gestão política da Casa estão preparados para pressionar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a acelerar as mudanças propostas. À Agência Brasil, Virgílio disse que o Senado "entrou num caminho sem volta": "Ou o presidente Sarney fica com esse pessoal ou cai junto com eles (envolvidos nos escândalos)", disse numa referência a Zoghbi e Maia, já afastados pelo presidente da Casa, por conta de denúncias de participarem de esquemas de fraude em contratos do Senado.

 

A Mesa Diretora analisará nesta terça-feira, o resultado da comissão de sindicância que investigou os atos secretos assinados pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia. A comissão investigou 15 anos da gestão de Agaciel Maia para levantar os atos que não foram publicados nos boletins administrativos do Senado.

 

O primeiro secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), a quem a Diretoria-Geral está subordinada só chega a Brasília amanhã, de acordo com a assessoria. Ele está em São Paulo, onde se recupera de uma cirurgia para redução do estômago.

 

Na última sexta-feira, Sarney anunciou medidas moralizadoras para tentar controlar a crise no Senado. Entre as mudanças, consta a realização de uma auditoria externa para investigar a folha de pagamentos de pessoal do Senado. A recomendação foi feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no relatório preliminar de reforma administrativa entregue ao presidente. Sarney não deixou claro se a FGV fará a auditoria, votada em plenário.

 

 

Senadores

 

"Tem senador por trás dos crimes do sr. Agaciel Maia", afirmou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), no discurso. Em referência aos atos secretos que teriam sido assinados pelo ex-diretor, Virgílio afirmou que "ato secreto é uma das coisas mais nojentas do Parlamento."

 

Segundo o líder tucano, a estratégia de Agaciel - "que tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em chantagem" - era a de "transformar em secretos atos que não tinham por que ser secretos, como forma de acumular poder, era a lógica de acumular poder." E acrescentou, com voz exaltada: "Duvido que o Sr. Agaciel tenha praticado esses crimes todos sozinho. Tenho convicção de que tem gente com mandato, tem senador por trás, tem gente por trás dele."

 

Virgílio, dirigindo-se a maior parte do tempo ao presidente do Senado, declarou que tem "críticas a fazer à forma" como este vem procedendo em relação às denúncias de irregularidades na Casa, das quais são acusados os ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

 

"A ética genérica, nesta Casa, morreu, sr. presidente. Esse ético surfa de maneira antiética na política da ética, esse ético genérico não aponta o nome, o CPF desse ladrões. Eu estou aqui apontando dois ladrões: o Sr. Zoghbi e o Sr. Agaciel", declarou Virgílio. "Eu dou os nomes. Arranjo dois inimigos, mas não volto atrás, haja o que houver."

 

Texto atualizado às 18 horas

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