Virgílio: aparição de novos atos é para tirar foco de Sarney

Senador tucano afirma que 'tem dedo de Agaciel' na revelação dos novos atos secretos

Carol Pires, AE

13 de agosto de 2009 | 17h19

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), acredita que funcionários ligados ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e ao ex-diretor geral da Casa Agaciel Maia sejam responsáveis pela aparição dos 468 novos atos secretos descobertos na Casa. Além desses, já haviam sido identificados no Senado 511 atos com nomeações de servidores e concessões de benefícios sem a publicação exibida por lei.

 

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Os 468 novos atos foram editados entre 1998 e 1999, quando o ex-senador (já falecido) Antônio Carlos Magalhães, o ACM, era presidente do Senado, e foram incluídos no sistema de publicação do Senado dois dias após a conclusão de levantamento sobre os outros cerca de 500, que foram revelados pelo Estado.

 

Na avaliação do líder tucano, inserir os novos atos secretos no sistema de publicação pode ter sido uma "estratégia diversionista" do grupo de servidores pró-Sarney para tirar o presidente do foco da crise. "Não é estranho, depois de terminado o estudo, aparecer mais atos? Acho estranho, é uma manobra diversionista, joga para cima do ACM para mostrar que não era só o Sarney", disse o líder.

 

Questionado se atribuía o que ele chama de "manobra diversionista" ao grupo do ex-diretor Agaciel Maia, Virgílio respondeu: "Isto tem o dedo do Agaciel (Maia) e dos filhotes deles. Porque depois de tantos anos no poder, isto gera filhotes e cria uma máquina espúria", disse. Agaciel Maia foi nomeado diretor-geral do Senado pelo presidente José Sarney na primeira das três vezes que presidiu a Casa. Maia ficou 14 anos no cargo, até ser exonerado no início do ano, sob denúncia de que teria ocultado da Justiça uma casa avaliada em R$ 5 milhões em um bairro nobre, em Brasília.

 

Até mesmo o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), que é da base aliada, acha "estranho" a descoberta dos novos atos. "Os atos secretos são resultado da péssima administração do Senado. Chega ao ponto de acusar o ACM. Acusar mortos é injustiça. Acusar o ACM de atos secretos, como vamos saber? Vamos ter que jogar búzios na Bahia para descobrir", ironizou o senador.

 

Salgado também atribui a responsabilidade dos atos secretos ao ex-diretor Agaciel Maia, mas suspeita da participação de senadores no esquema de edição dos atos sigilosos. "O Agaciel está pagando a conta inteira. Mas quem dera tivesse uma câmera filmando todo mundo que ia falar com ele. Não é possível que ele tenha ficado 14 anos no poder e tenha sido odiado por todos (...) Mas escolher só um para pagar a conta, com isto eu não concordo", afirmou Salgado, que faz parte da tropa de choque do senador José Sarney.

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