Virgílio abrirá ação no CNJ contra juiz que censurou 'Estado'

Senador considera ato "extremamente equivocado do ponto de vista da democracia" e recorerrá ao Conselho

Rosana de Cássia, da Agência Estado,

03 de agosto de 2009 | 10h49

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) vai entrar hoje com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o desembargador Dácio Vieira, que proibiu o jornal O Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicarem reportagens com informações da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal (PF). Para o senador, o desembargador cometeu ato "extremamente equivocado do ponto de vista da democracia".

 

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"E mais, por ser consultor jurídico da gráfica do Senado, à época em que 82 estagiários foram efetivados, quatro anos após a edição de carta constitucional que exigia o concurso público. Isso levará certamente à demissão de Agaciel (Maia), e a demissão de outras pessoas, mas não pode ficar impune o juiz Dácio Vieira que no casamento da filha do senhor Agaciel Maia estava ao lado do senhor Sarney, do senhor Renan (Calheiros), do senhor Agaciel, mostrando que tinha mesmo uma grande intimidade com quem governa o Senado, até o presidente", afirmou Virgílio, em entrevista à "Globo News". Para Virgílio, é preciso que a ação do Dácio Vieira, como desembargador, e sua isenção sejam questionadas pelo CNJ.

 

A proibição foi consolidada por Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), na última sexta-feira. O recurso judicial que pôs o jornal sob censura foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - que está no centro da crise política no Congresso.

 

Vieira determinou que o descumprimento da aplicação acarretará em uma de multa de R$ 150 mil - por "cada ato de violação do presente comando judicial", isto é, para cada reportagem publicada.

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