Violência vem do ventre, diz secretário

Titular da Segurança não garante policiamento ostensivo na campanha

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 Julho 2008 | 00h00

Pressionado a dar mais segurança aos candidatos em campanha eleitoral, o secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse ontem que não tem como garantir a presença ostensiva da Polícia Militar nas áreas mapeadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) como as mais críticas do Rio. De acordo com Beltrame, seriam necessários mais 10 mil policiais. O secretário participou ontem de debate sobre segurança pública promovido pelo jornal Extra e, numa declaração polêmica, atribuiu a violência no Rio a uma questão cultural, ao responder a crítica sobre o elevado índice de autos de resistência (mortes em confronto). "Nós temos aqui uma legião de excluídos que não conhecem o Estado. Não sabem o que é lei. Essa é uma cultura que muitas vezes o marginal traz do ventre da sua mãe. Ele convive, vê na rua as pessoas armadas, com granadas, com revólveres. Isso não nos autoriza a tirar vidas. Mas só peço que se considere esses aspectos ao fazer análise (dos dados da violência policial). Podemos ter autos de resistência que tenham algum problema (excesso policial), mas nós temos autos de resistência." O secretário disse que até agora não recebeu nenhuma oferta de envio de homens para reforçar a segurança no Rio. "Ninguém ofereceu nada para mim ou para o presidente do TRE. O Rio de Janeiro precisa é refazer o policiamento através de seus efetivos. E o número que nós precisamos em tese para fazer um policiamento razoável é de 10 mil homens." Durante o período eleitoral, será criada uma coordenação de segurança. Caberá aos órgãos de inteligência do Estado abastecer com informações a Polícia Federal, que ficará à frente das operações pontuais para coibir a atuação da milícia e do tráfico. "IMEDIATA"O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou ontem que é favorável à presença "imediata" da Força Nacional de Segurança no Estado. "A Força Nacional de Segurança deveria vir imediatamente e ficar, inclusive, depois das eleições", afirmou o governador.COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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