Violência no Pontal do Paranapanema é a maior dos últimos anos

O Pontal do Paranapanema, região com o maior número de conflitos fundiários no Estado de São Paulo, registrou números recordes de ocorrências violentas este ano, comparáveis ao período dos anos 90, considerados os mais radicais da luta pela reforma agrária. O Núcleo de Estudos da Reforma Agrária (Nera), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Presidente Prudente, ainda não concluiu o levantamento, mas o número de invasões e de outras ocorrências superam não só os do ano passado, mas também os dos últimos quatro anos do governo de Fernando Henrique Cardoso. O levantamento anual do Nera relativo ao Pontal do Paranapanema, que subsidia os relatórios da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre a violência no campo, está atrasado e deve ser concluído até o dia 20 próximo. Os números parciais indicam que ocorreram 28 invasões de fazendas, este ano, na região, contra apenas 3 ocorridas em 2003. O Movimento dos Sem-Terra (MST) protagonizou 13 ações, enquanto o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) fez outras 11. As demais foram realizadas pelos pequenos grupos, com o Movimento pela União dos Sem-Terra (Must). Os enfrentamentos também foram recordes, com o registro de nove sem-terra feridos, sete deles do Mast, atingidos por tiros, durante a invasão da fazenda Ponte Funda, em Presidente Epitácio - e pelo menos 22 prisões. Entre os presos, cinco eram líderes do Mast, entre eles o presidente nacional, Lino de Macedo, flagrados com armas de grande potência durante uma das invasões à fazenda São Luiz, em Mirante do Paranapanema. Também foram presos um líder e 13 militantes do MST, além de um fazendeiro e dois empregados de uma fazenda.

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