Violência matou 109 mil brasileiros em 2002

No ano passado, 91.823 homens e 18.044 mulheres morreram no País em decorrência de causas violentas. Ao longo da década passada, o número de óbitos masculinos não-naturais aumentou 15%: subiu de 14,2%, em 1990, para 16,3%, em 2002. Entre as mulheres, o crescimento foi bem menor, em torno de 4%, e chegou a 4,53%.Os dados, divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, revelam uma tendência já conhecida. A novidade é que na faixa etária de 15 a 24 anos, na qual está concentrado a maior proporção de mortes decorrentes de homicídios, acidentes de trânsito e quedas, entre outras causas externas, a taxa aumentou mais entre o sexo feminino (21%) do que entre o masculino (17%). Só em 2002, 9.247 mulheres na referida faixa etária foram vítimas de mortes violentas no País.?Embora nas mulheres, de um modo geral, a mortalidade tenha se mantido estável, na faixa mais jovem é motivo de preocupação. É importante acompanhar isso?, diz o pesquisador do IBGE Celso Simões, destacando que a proporção aumentou de 28,25% para 34,14%. Em uma análise por região, as maiores proporção foram registradas nas regiões Sul e Sudeste, com, respectivamente, 39,28% e 39,23%. No entanto, os maiores aumentos ao longo da década foram encontrados nas regiões Norte (44,45%) e Sudeste (30,20%).Mulheres vítimasA pesquisadora Maria Helena Prado de Mello Jorge, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, diz que a tendência de aumento de mortes violentas entre mulheres foi detectada também em levantamento realizado em São Paulo. Segundo ela, esse crescimento é decorrente da maior inserção do sexo feminino no mercado de trabalho e também da saturação dos óbitos violentos entre o grupo masculino. ?Apesar do homem ser o mais atingido, a diferença das taxas entre os sexos vêm caindo gradativamente?.Apesar do aumento na proporção de óbitos violentos entre mulheres ter sido maior na década, o sexo masculino permanece a vítima preferencial e é mais do triplo do registrado entre o sexo oposto. Na faixa de 15 a 24 anos, a mais afetada, a proporção de óbitos violentos no total de mortes chegou a 70,67% no ano passado. O Sudeste lidera as estatísticas, com 79,64% e, dentro da região, o Rio de Janeiro encabeça a taxa de mortalidade, com 270,3 mortes por 100 mil habitantes. São Paulo, com 233,9 por 100 mil habitantes vem em terceiro lugar, logo depois do Amapá, com 244,1 por 100 mil habitantes.Ainda em relação aos homens, a proporção de óbitos relativa ao ano de 2002 é de 16,3% no Brasil. Os maiores índices foram registrados em Roraima (37,3%), Amapá (29%), Rondônia (27,9%) e Mato Grosso (25,4%). Por região, as maiores incidências entre o sexo masculino em todas as faixas etárias foram encontradas no Norte (17,52%) e no Centro-Oeste (19,53%). Já entre as mulheres, as maiores incidências estão concentradas nas regiões Norte (5,76%) e Centro-Oeste (6,27%). Quando se analisa os maiores aumentos na proporção de mulheres vítimas de causas violentas, o Norte surge com 17% e o Sul, com 28%.Simões caracterizou ainda diferenças em relação às mortes violentas. ?No Rio, em São Paulo, e em outros Estados mais desenvolvidos, os óbitos geralmente estão associados ao problema da criminalidade do desemprego e dos acidentes de trânsito. Já na região Norte e Centro-Oeste, em locais como Mato Grosso, Roraima, Pará, a mortalidade deve estar ligada às questões rurais, da posse da terra. Mas tudo isso tem que ser investigado melhor?.LEIA MAISBrasileiro troca o casamento pela união informalUm quatro dos bebês brasileiros ficam sem registro"Ninguém é obrigado a ficar com ninguém""Não tenho mais medo de morrer", diz mãe que perdeu a filha assassinada

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