Violência interfere na performance de Alckmin, diz analista

Os dados da pesquisa CNT/Sensus, divulgados hoje pela Confederação Nacional dos Transportes, confirmaram a perspectiva de que o tucano Geraldo Alckmin (PSDB-SP)poderá passar boa parte de sua campanha à presidência da República justificando a crise de segurança pública que atingiu o Estado de São Paulo. A avaliação é do cientista político Carlos Alberto Furtado de Melo, do Ibmec-SP. Ao caracterizar como óbvio o resultado do levantamento, Melo destacou como um dos dados relevantes o forte conhecimento da população em relação à onda de violência que atingiu o Estado."Alckmin saiu de uma situação de conforto ofensivo para uma situação de desconforto defensivo", disse Melo, lembrando que a pesquisa apontou que 84,1% dos entrevistados tomaram conhecimento dos atentados em São Paulo e 50,1% do total acreditam que esse tema prejudica a campanha de Alckmin. Na avaliação dele, isso mostra que a violência é um tema que já está colocado e que muito provavelmente será retomado com mais força na campanha."Alckmin passará boa parte da campanha se justificando por algo que não tem justificativa", disse o cientista político, acrescentando que a questão da violência já interferiu na performance de Alckmin junto à opinião pública e poderá interferir ainda mais. "Ainda vai passar muita água em baixo dessa ponte", acrescentou.Segundo Melo, esse cenário se soma ao fato de o presidente Lula estar vivendo um bom momento em seu governo, o que ficou claro não apenas por sua performance nas avaliações de intenção de voto, mas também nos índices de aprovação e rejeição. Para o cientista político, questões como a banalização da crise política e o fato de Lula ter sido pouco afetado pelos escândalos de corrupção também contribuem para o quadro. "Além disso, temos ainda o carisma de Lula, que é algo que não pode ser desconsiderado", disse Melo.Mesmo assim, o cientista político insistiu que ainda é cedo para dar a eleição como decidida. Ele ressaltou, por exemplo, que o governo Lula está diante de um ambiente econômico menos tranqüilo que no passado. "Podemos ter alguma turbulência", advertiu. "Além disso, nunca se sabe o que virá nos jornais de amanhã. "

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