Violência encurta a vida dos homens paulistas

No Estado de São Paulo, a expectativa de vida de um homem, ao nascer, é de 65,3 anos. Diante da força econômica do Estado e do conjunto dos indicadores sociais, que o colocam entre as três melhores unidades da Federação, trata-se de uma média baixa. Não fica muito adiante, por exemplo, da expectativa média de vida para os homens no País - 64,6 anos. O mais curioso é que fica abaixo da expectativa de dez Estados, todos com menor poderio econômico. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Amapá, Pará e Amazonas, os homens vivem mais tempo que em São Paulo.No caso das mulheres paulistas, a situação é diferente. Ao nascer, elas têm uma expectativa de vida de 74,6 anos. Esse número, razoavelmente acima da média nacional - 72,3 anos - só é inferior ao de dois Estados: Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre as mulheres gaúchas, onde se encontrou o melhor índice, a esperança de vida chega a 75,7 anos. No conjunto de homens e mulheres paulistas, a expectativa de vida é de 69,9.Por trás dessas estatísticas, contidas na Síntese dos Indicadores Sociais, apresentada na quarta-feira pelo IBGE, há uma tragédia: as mortes violentas de homens em São Paulo. Especialistas em demografia acreditam que elas têm um peso crescente sobre os índices de mortalidade, puxando-os para baixo, apesar dos avanços ocorridos no Estado na área de saúde nas últimas décadas. Parte dos ganhos obtidos pela redução da mortalidade na infância estão sendo anulados, segundo o IBGE.Homicídios - O fenômeno não ocorre apenas em São Paulo. Desde os anos 80, aumenta sistematicamente em quase todo o País o número de jovens, entre 15 e 19 anos, que morrem das chamadas causas externas, entre elas homicídios, acidentes no trânsito e suicídios. Em nenhum outro lugar, porém, os números foram tão elevados quanto em São Paulo. As drogas contribuem para isso.Em 1998, o ano mais recente apresentado no estudo do IBGE, 77,4% das mortes de jovens foram por causas externas. Nem no Rio, mergulhado em guerras de traficantes, o índice avançou tanto. Ficou em 73,7%. No Brasil todo, a média chegou a 68%. A menor taxa foi registrada no Maranhão: 48,6%.Essas estatísticas poderiam ser diferentes, segundo os técnicos. "Esta causa de mortes é considerada evitável e, como tal, passível de ser eliminada", indica o relatório.Vantagens - Sob outros aspectos, especialmente os relacionados à economia, São Paulo fica quase sempre acima da média nacional. O IBGE registrou que, enquanto no conjunto do País a porcentagem de empregados com carteira assinada é de 61,3%, entre os paulistas sobe para 72,6%. O número de empregadores que contribuem para a Previdência Social no Estado corresponde a 75,8%. No Piauí a taxa é de 21%. No Brasil, 60,2%.Considerando-se a população economicamente ativa do Estado, o rendimento médio dos 40% mais pobres é de R$ 223,58 mensais. No Brasil, ele mal passa de R$ 127,00. Na outra ponta, os 10% mais ricos de São Paulo também se distanciam do restante: recebem em média R$ 3.025,69 por mês, ante R$ 2.397,07 no País. "Em termos de renda, São Paulo é o melhor do País", comenta o chefe do Departamento de População e Indicadores Sociais do IBGE, Luiz Antonio Pinto de Oliveira. "Quanto à distribuição dessa renda, porém, não tem do que se orgulhar. Fica atrás do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina."

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