Violência é problema de décadas anteriores, revela estudo

A violência é um problema que vem de décadas anteriores, numa "seqüência de desacertos de uma forma estruturada na área nacional". É o que revela o estudo, recebido hoje, pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um trabalho de mil páginas sobre a segurança pública no país feito durante seis meses por 40 especialistas brasileiros e estrangeiros, resultado de acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Justiça, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o Serviço Social da Indústria (Sesi-RJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).Segundo o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, o trabalho abrange nove eixos temáticos e traz propostas relacionadas a cada um deles: segurança municipal, controle de armas de fogo, controle externo e participação social, estruturação e modernização das perícias, sistema penitenciário, formação policial, gestão da informação e gestão organizacional e prevenção do crime e da violência. A Firjan investiu R$ 1,5 milhão no estudo e o Pnud, R$ 200 mil. "Dificilmente, até agora, foi elaborado um trabalho tão denso na questão de segurança pública como esse", destacou Vieira, em entrevista coletiva após deixar o gabinete do ministro. O empresário afirmou que interesses políticos e eleitorais não devem se sobrepor às questões relacionadas à segurança pública no país. E mostrou-se especialmente preocupado em relação à criminalidade no Rio de Janeiro. "Ninguém mais agüenta essa situação. Os poderes federal, estaduais e municipais têm que entender que é preciso deixar de lado as disputaspolíticas ou eleitorais e tratar da vida do cidadão, que é uma questão de Estado".Vieira também atribuiu o problema da criminalidade à falta de articulação entre os três níveis de governo. Destacou ainda quealém dos prejuízos sociais, o quadro de violência traz perdas econômicas para o país, inclusive com a fuga de investidores. Segundo ele, a Firjan está concluindo um estudo sobre os impactos econômicos da falta de segurança pública na atividade industrial.Em setembro do ano passado, a Federação já havia divulgado pesquisa sobre os efeitos da violência nos trabalhadores da indústria. O levantamento mostrou que um em cada quatro trabalhadores entrevistados sofreu algum tipo de violência, sendo que mais da metade dos casos foi de assalto com arma.

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