Violência deve complicar campanha de Alckmin, diz sociólogo

A onda de pânico que parou a maior cidade do País, resultado dos ataques promovidos a alvos civis e militares pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), deverá complicar ainda mais a situação do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin. "Passado o luto dos familiares das vítimas, os petistas deverão sapatear sobre o caixão da Segurança Pública paulista, já que Alckmin se coloca na posição de legítimo herdeiro de tudo o que se fez de bom no Estado nos últimos 12 anos", afirma o cientista político e professor de sociologia e política do Ibmec São Paulo, Carlos Alberto Furtado de Melo. Segundo ele, "a bomba estourou na mão do PSDB"."É natural que os adversários dos tucanos explorem isso eleitoralmente, pois o discurso da eficiência e da gestão administrativa pregada por Alckmin será questionado em função desses ataques", diz o professor. Na sua avaliação, o tucano deverá passar boa parte da campanha se justificando. "Alckmin deverá ficar na defensiva, pois é claro que os petistas deverão utilizar as cenas de pânico e de terror deste episódio nos programas do horário eleitoral gratuito na TV, caso o STF mantenha o veto presidencial à proibição de cenas externas nesta campanha."Carlos Melo destaca também que a propagada trégua que teria sido acertada entre o PCC e as autoridades paulistas para o fim dos ataques também deverá ser mote para o embate eleitoral deste ano. O sociólogo lembra que a estratégia tucana de responsabilizar o governo federal pelo não repasse de verbas e pela não construção de presídios federais, por exemplo, deverá ser confrontada pela falta de eficiência demonstrada nessa crise pelo sistema se segurança paulista.O professor do Ibmec São Paulo destaca também "a fuga dos candidatos do PSDB" durante o caos provocado pelos ataques do PCC. "Alckmin apareceu episodicamente, ensaiou generalidades e, passado o sufoco, surgiu para atribuir culpa aos outros (Judiciário e Ministério da Justiça). E José Serra, para não se contaminar, não deu o ar da graça", destacou ele. O ex-prefeito da capital e pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes está em viagem aos Estados Unidos.Apesar da análise, o cientista político não acredita que o episódio poderá reverter a larga vantagem de Serra na corrida ao Palácio dos Bandeirantes. Porém, não descarta a hipótese de o tucano ter de deixar de lado o "resgate" da força de Alckmin no Estado, como estava se propondo na campanha unificada que os dois estão fazendo em São Paulo. "Antes de tudo, Serra terá de cuidar de se proteger", emendou. O professor lembra que na sucessão de Fernando Henrique Cardoso, quando Serra disputou o Palácio do Planalto com Lula, o tucano lançou mão do bordão "continuidade sem continuísmo". "Na atual conjuntura, Serra é capaz de firmar a conectividade sem compromisso", reitera Melo.

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