Violência de meninas americanas choca o país

Nicole Townes, de 12 anos, está fora do coma porém ainda lutando para recuperar-se, depois de ter sido surrada e chutada numa festa de aniversário, numa demonstração de selvageria que não chocou apenas pela violência mas por que foi perpetrada por outras meninas.Autoridades americanas dizem que isso é sintoma de uma tendência que se evidencia no país: meninas tornando-se violentas mais freqüentemente e com uma aterradora intensidade.?Estamos vendo garotas fazendo coisas que antes esperava-se de garotos?, diz o ex-chefe de polícia escolar de Baltimore, Jansen Robinson. ?Isto é ruim, esse fenômeno da briga do ?eu-quero-machucar-você, e está nos pegando despreparados.?Polícia e promotores dizem que a surra em Nicole, dia 28 de fevereiro, começou quando um garoto, na festa, aceitando um desafio, beijou a menina no rosto. As outras crianças explodiram em vaias e risadas, de acordo com o relato da polícia.A mãe da aniversariante, de 36 anos, aparentemente sentiu-se ofendida, porque supunha-se que o garoto fosse namorado de sua filha. Diz-se que a mãe teria dito à filha para que ?cuidasse do que é seu?, o que foi tomado como ordem para defender a honra da família.Nicole foi arranhada, socada, chutada e pisoteada por mais de seis mulheres e meninas, disse a polícia. Ficou em coma por cerca de três semanas e ainda está hospitalizada. Segundo sua família, seu cérebro foi permanentemente danificado.Acusadas pelo ataque estão a aniversariante, de 13 anos; sua mãe; sua irmã mais velha, de 19; e três outras amigas, com idades de 13, 14 e 15. A polícia também acusou uma mulher de 24 anos, que vivia com Nicole, de abuso e negligência por deixar a garota na festa.?Estamos assustados e desgostosos e ainda não podemos entender como uma coisa dessas pôde acontecer?, diz o pastor da família, reverendo Durrell Williams da Igreja Full Gospel Deliverance. William descreve Nicole como uma menina tímida, ?diferente das que brigaram?. Em todo o país, polícia escolar e professores percebem uma tendência crescente das adolescentes entrarem em brigas com os punhos. Estão-se descobrindo como apartadores de lutas do recreio, nas quais as meninas partem para cima das outras como meninos.Nacionalmente, a violência entre garotos ?medida por estatísticas e pesquisas ? ultrapassa a violência entre garotas de 4 para 1, de acordo com o Departamento de Justiça. Mas há uma geração, a proporção era 10 para 1. Escolas relatam um padrão similar no número de meninas suspensas ou expulsas por causa de lutas. Os especialistas dizem que a tendência simplesmente reflete a sociedade ? as garotas estão mais violentas porque a sociedade em geral está mais violenta e menos civilizada. Alguns dizem que os colapsos na família, igreja, comunidade e escola, anteriormente responsabilizados pela violência entre meninos, agora atingem as garotas.E alguns acreditam que a violência é também alimentada pelo surgimento de filmes e videogames, tais como Tomb Raider, no qual as mulheres partem para a violência com o mesmo gosto dos heróis machos.Em maio do ano passado, garotas foram filmadas em vídeo socando e chutando outras garotas na Glenbrook High School, escola grã-fina de Chicago. E brigas entre gangs de meninas em cidades como Los Angeles e Chicago fazem que educadores e líderes comunitários esforcem-se por encontrar soluções.O ataque a Nicole ilustra como alguns pais são quase tão imaturos quanto os filhos, diz Rosetta Stith, diretora de uma escola pública da Baltimore para mães adolescentes.?Você vive ouvindo essa frase ?cuide do que é seu??, diz Rosetta. ?Agora pergunta-se: do que pode uma menina de 13 anos cuidar? Mas para um monte de garotas, isto já significa manter o respeito das outras, defender o que é seu, lutar por seu homem.?

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