Violência contra mulher é tema de campanha

O governo lançou, nesta quinta-feira, campanha nacional de combate à violência contra a mulher. Pela primeira vez, o protagonista dos anúncios publicitários será um homem.A idéia é derrubar o mito de que apenas os homens pobres e rudes batem em suas mulheres. A maioria dos denunciados por agredir mulheres tem bons empregos e vivem em família."Vamos mostrar a face dos agressores e não apenas mulheres machucadas, como das outras vezes", explicou a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), Solange Bentes Jurema.A campanha será veiculada nos principais meios de comunicação do País a partir do dia 25, quando se comemora o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher.O anúncio da campanha ocorreu um dia após os advogados da cantora mexicana presa no Brasil, Gloria Trevi, afirmarem que a cliente foi estuprada nas dependências da Polícia Federal, em Brasília."A denúncia de que a cantora foi estuprada não tira a credibilidade da campanha; mostra apenas que a violência sexual contra a mulher pode acontecer em qualquer lugar do Brasil", disse o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira.Segundo ele, a Polícia Federal, a Secretaria Nacional de Justiça e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher estão tomando as providências necessárias para que o caso seja esclarecido.A campanha, segundo Solange, também tem o objetivo de sensibilizar os profissionais da área de saúde, como médicos e enfermeiros. O profissional, além de dar atendimento especializado às mulheres que sofreram qualquer tipo de abuso ou violência sexual também deve orientá-las sobre seus direitos.Entre eles, o de receber gratuitamente a pílula do dia seguinte e o coquetel antiaids. Os médicos serão orientados a incentivar as mulheres para que denunciem o agressor.O governo espera provocar um choque de consciência nos homens com a campanha. A idéia é fazer com que eles se identifiquem com os personagens da campanha e mudem seu comportamento. "Queremos sensibilizar o homem, porque, tradicionalmente, ele não se identifica com esse papel", completou a presidente do conselho.De acordo com o último levantamento das Delegacias Especializadas no Atendimento às Mulheres (Deams), em 1999 foram apresentadas 4.697 queixas de estupro. Atualmente, existem cerca de 300 Deams no Brasil, a maioria delas no Estado de São Paulo.Pelos dados do CNDM, 40 mil mulheres são vítimas de agressões todos os anos no Brasil. No entanto, apenas 10% delas prestam queixa nas delegacias de polícia.Aloysio Nunes considera a taxa alta, mas acredita que ela não reflete a realidade, já que a maioria das vítimas não tem coragem de denunciar o criminoso e nem enfrentar um processo na Justiça.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2001 | 21h18

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