Violência armada mata duas mil pessoas por dia no mundo--grupos

Mais de duas mil pessoas, em média, estão morrendo por dia vítimas da violência armada no mundo, disseram grupos de defesa nesta terça-feira. Eles pediram às nações que iniciem negociações sobre um tratado para regulamentar o comércio de armas.

PATRICK WORSNI, REUTERS

06 de outubro de 2009 | 22h00

Um relatório preparado por 12 grupos foi publicado no momento em que um comitê da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começou a considerar o projeto de uma resolução que estabeleceria um calendário para as negociações com o objetivo de concluir um tratado até 2012.

O documento, escrito para os grupos pela organização britânica Oxfam, diz que desde que a maioria dos governos concordou em 2006 com a necessidade de regulamentar o comércio mundial de armas, um total estimado de 2,1 milhões de pessoas morreu como resultado direto ou indireto da violência armada.

Isso significa que mais de duas mil pessoas morreram por dia, ou mais de uma a cada minuto --a maioria delas civis. Das mortes, mais de 700 mil foram provocadas por conflitos armados, incluindo aqueles no Afeganistão, Somália, Sudão, Sri Lanka e República Democrática do Congo, informou o relatório. Os números também incluem pessoas mortas em casos de violência com armas de fogo, sem necessariamente ter ligação com um conflito político.

O diretor-executivo da Oxfam, Jemery Hobbs, disse que oito de 10 governos são a favor de um acordo para o tratado do comércio de armas.

A proposta do tratado limitaria a regulamentação de, e estabeleceria padrões internacionais para, importação, exportação e transferência de armas convencionais.

Os apoiadores dizem que isso daria uma cobertura mundial para fechar as lacunas existentes em nível regional e nacional de sistemas de controle de exportação de armas que permitem a passagem de armas para o mercado ilícito.

Os países ficariam responsáveis pelo controle de suas exportações de armas, mas seriam legalmente obrigados a avaliar cada exportação segundo os critérios acordados no âmbito do tratado. Os governos teriam de autorizar as transferências por escrito e com antecedência.

O principal obstáculo no passado era a administração do ex-presidente norte-americano George W. Bush, que alegava que os controles nacionais eram melhores. No ano passado, os Estados Unidos responderam por mais de dois terços dos cerca de 55,2 bilhões de dólares em negócios de transferência de armas no mundo.

Exportadores de armas como China, Rússia e Israel se abstiveram em uma votação na ONU sobre a questão em 2008. Diplomatas disseram que a administração de Barack Obama parecia mais aberta a um tratado, mas ainda tinha dúvidas sobre sua eficácia e se poderia afetar o direito dos cidadãos norte-americanos de portar armas.

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