Violência achata expectativa de vida do homem brasileiro

A violência está achatando a esperança de vida do homem brasileiro e, com isso, impedindo que o Brasil cresça no ranking mundial das NaçõesUnidas, revela pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia eEstatística (IBGE).A "Tábua de Vida" mostra que as mortes por causas externas - assassinatos, acidentes de trânsito, suicídios e outros tipos - distanciam homens emulheres: em 2001, elas já viviam 7,8 anos a mais do que a população do sexo masculino.E isso ocorre porque, entre os jovens de 20 a 29 anos, a violência faz três vezes mais vítimas masculinas. Entre 1980 e 2001, a expectativa de vida da população brasileira subiu de 62,7 anospara 68,9 anos - elevação de 6,9 anos para as mulheres e 5,5 para os homens.Mas o IBGE calcula que, se o 1,9 milhão de mortes violentas estimadas para esses 21 anosnão tivessem ocorrido, a esperança do homem ao nascer teria crescido oito anos em vez de 5,5 anos. A média nacional já seria, em 2001, de 70,3 anos.A elevação melhoraria a posição brasileira no ranking ONU - hoje o Brasil é o 108º dos 187 países. Se alcançasse os 70 anos de expectativa de vida, o País se aproximaria mais doslíderes nesse índice, como França (79 anos) e Japão (81,5 anos). Hoje, o Brasil está abaixo de Chile (75,6 anos), Argentina (73,8 anos) e até do Paraguai (70,7 anos)."Esse estudo fornece às autoridades uma ordem de grandeza sobre o impacto dasmortes externas. As pessoas estão morrendo precocemente", afirma Juarez de Castro Oliveira, do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE e organizador do estudo.E o que mais preocupa, segundo Oliveira, são os homicídios. Do 1,9 milhão de mortes por causas externas, ele estima que 80% delas sejam assassinatos de homens jovens. Na faixa de 15 a 29 anos, mortes violentas eram responsáveis por 65,8% dos óbitos do sexo masculino em 2000. Em 1980, elas representavam apenas 45%.Elas também estão crescendo nas mulheres dessa faixa etária. Em 2000, elas causaram 29% dos óbitos do sexo feminino, uma elevação de 11 pontos porcentuais desde 1980. "Por razõesculturais, os homens são mais expostos. Mas você começa a ver a violência matando mulheres jovens também", analisa Oliveira.Mesmo assim, as mulheres são as únicas que têm chance de se aproximar dos padrões dos países desenvolvidos. Em 2001, a expectativa de vida do sexo feminino só estava abaixo dos 70 anos em seis Estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, elas já chegam a patamares europeus, com 76,1 anos de esperança ao nascer.Quando se olha para o sexo masculino, o quadro é exatamente o contrário. Em nenhum Estado o homem tem esperança de vida que atinja os 70 anos.O Rio de Janeiro é o Estado que tem a maior diferença homem/mulher. São 11,6 anos de distância. Enquanto as fluminenses têm uma esperança de vida que chega a 73,7 anos, as pessoas do sexo masculino têm pouco mais de 60 anos (62,1 anos). Quem nasce homem no Rio só tem maior esperança de vida do que os naturaisde Maranhão, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Em todos os outros Estados brasileiros,a expectativa é maior.Em São Paulo, a diferença entre os sexos é de 9,6 anos (65,5 anos contra 75 anos). Aexplicação está diretamente ligada às mortes violentas. São Paulo e Rio estão entre osEstados com os maiores porcentuais de mortes por causas externas - 85,6% e 75,5%.

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