"Vincular carne e aviões é jogo perigoso"

O embaixador do Canadá na Organização Mundial do Comércio (OMC), Sérgio Marchi, criticou a atitude brasileira nas disputas envolvendo os dois países no setor aeronáutico e nas exportações de carne. "Será um jogo perigoso se o Brasil começar a vincular os temas", afirmou Marchi. Depois de ter sido autorizado pela OMC a retaliar o Brasil em US$ 1,4 bilhão em decorrência de subsídios ilegais às exportações da Embraer, o Canadá anunciou a interrupção das importações de carne brasileira, alegando que o produto poderia estar contaminado pela doença da "vaca louca". Marchi garante, porém, que são temas "absolutamente independentes". Segundo o embaixador brasileiro em Genebra, Celso Amorim, o País estudará nos próximos dias de que forma irá levar à OMC a imposição das barreiras canadenses. "Estamos avaliando de que forma poderemos atuar nesse caso", afirmou o embaixador. Uma das opções seria a utilização das regras fitossanitárias da OMC. Outra alternativa que o País pode adotar é entrar com um processo na organização, alegando que as barreiras ferem as normas do comércio internacional. Caso um "panel" seja instaurado, e a OMC comprove que as barreiras são ilegais, além de remover os entraves às importações, Ottawa poderia ser obrigada a compensar o Brasil pelas perdas comerciais que o País sofreu durante o período. O processo, porém, poderá levar meses até que uma decisão final seja tomada. Ainda nesta sexta-feira, o embaixador Celso Amorim foi eleito para presidir o Conselho de Serviços da OMC, um dos principais órgãos de negociação da entidade. Amorim substituirá exatamente o embaixador canadense Sérgio Marchi. "A participação do Brasil na presidência do Conselho de Serviços poderá atrair a atenção do País a aumentar as exportações de serviços", diz o embaixador.

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