Vinculação do mínimo ao PIB não convence centrais sindicais

As duas maiores centrais sindicais do País, a CUT e a Força Sindical, receberam sem entusiasmo a vinculação dos futuros aumentos do salário mínimo ao desempenho do PIB do País, conforme estabelecerá à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). "É uma medida importante, mas insuficiente. É preciso que o mínimo cresça acima do PIB", analisa o presidente da CUT, Luiz Marinho.O presidente interino da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, acha que o governo e o Congresso cometem um erro. "E se acontecer de o PIB, no futuro próximo, repetir o desempenho do ano passado (queda de 0,2%)? Vamos diminuir o mínimo?", indagou. Os sindicalistas entendem que a melhor saída para garantir a recuperação do poder de compra será estabelecer metas de longo prazo.Marinho reconheceu o valor político da iniciativa do Congresso e do governo em debater o mínimo já na LDO. "O nosso histórico é de não respeitarmos as diretrizes na formatação da peça orçamentária. Por isso, vamos estabelecer uma nova filosofia, recolocar a discussão do mínimo e, em outubro, durante os debates do Orçamento, definir o valor de fato para não termos outro faz-de-conta em abril do ano que vem", disse.Os sindicalistas condenaram o argumento do ministro do Planejamento, Guido Mantega, contrário à vinculação de PIB e mínimo, ao alegar que seria uma forma de indexação. "É baboseira dizer que isso é indexação, inclusive porque existe indexação em tarifas públicas e preços administrados pelo governo", diz Marinho. "Acho que o ministro Mantega deveria se aliar à classe trabalhadora e nos ajudar a encontrarmos fórmulas de recuperação do mínimo", afirma Juruna.

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