Vilela defende moratória da dívida de Alagoas

Governador reeleito do PSDB pretende contar com o apoio da bancada federal para renegociar a dívida com a União, que passa dos R$ 7 bilhões

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2010 | 17h38

MACEIÓ - Na primeira entrevista coletiva que concedeu a imprensa depois de reeleito, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) defendeu uma espécie de moratória para dívida do Estado com a União. Ele disse que quer contar com o apoio da bancada federal, na Câmara e no Senador, para conseguir, junto a presidente eleita Dilma Rousseff, a renegociação da dívida de Alagoas com a União, que passa dos R$ 7 bilhões.

 

"Queremos que o governo federal abra mão da cobrança mensal de R$ 40 milhões, que Alagoas paga a União pelo serviço da dívida, para que este dinheiro seja investido no Estado, em educação, saúde, segurança pública e infraestrutura", afirmou Vilela, acrescentando que essa "ajuda da presidente Dilma" seria justificada levando em consideração os baixos indicadores sociais do Estado.

 

SegundoVilela, essa reivindicação já tinha sido aceito pelo candidato derrotado José Serra (PSDB), quando o tucano esteve em Alagoas durante a campanha eleitoral deste ano. "O Serra já tinha se comprometido a atender essa reivindicação caso fosse eleito, como a eleita foi a ex-ministra Dilma vamos levar esse pleito para ela", afirmou Vilela, acrescentando que não apoiou Dilma, mas sempre teve um bom relacionamento com o presidente Lula.

 

Para conseguir renegociar a dívida de Alagoas com a União, Vilela vai pedir ajuda aos senadores Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor (PTB), que foram seus adversários nas eleições deste ano. Collor disputou o governo do Estado, mas não passou do primeiro turno. Já Renan apoiou o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que foi derrotado por Vilela no segundo turno, por uma margem de 5% dos votos.

 

Vilela argumenta que a proposta de Alagoas poderia ser estendida também a outros Estados com IDH abaixo da média nacional e que destinam fatias consideráveis do seu orçamento para o pagamento de dívida com a União. "Seria uma forma de o governo federal ajudar os Estados mais pobres, sem ter que estender essa ajuda aos demais Estados. Afinal, R$ 40 milhões por mês não é muito para o Brasil, mas faz muita falta para Alagoas", comentou Viela.

 

De acordo com Vilela, Alagoas destina por mês cerca de 17% da sua receita líquida para o pagamento do serviço da dívida com a União. O governador disse também que o perfil da dívida por ser alongado, para reduzir o percentual das parcelas pagas por mês. "São quase R$ 500 milhões por ano que Alagoas perde da sua receita líquida por conta do débito com a União. Para um Estado pobre como o nosso, isso é uma sangria", concluiu Vilela.

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