Vigilância Sanitária alerta contra alimentos vendidos em SP

É preciso muito cuidado com o sorvete em massa à base de leite, o queijo minas frescal, a paçoquinha de amendoim e lingüiças de diversas marcas - entre outros produtos. O alerta é do Centro de Vigilância Sanitária (CVS), da Secretaria de Estado da Saúde, que analisou 15 produtos consumidos no Estado de São Paulo e concluiu que 33% apresentam algum tipo de irregularidade.Os casos mais graves chegam a colocar em risco a saúde de quem os consumir, mas há também problemas só de rotulagem, por exemplo.De acordo com o diretor de Alimentos do CVS, William César Latorre, foram analisadas, entre maio e dezembro do ano passado, 1.495 amostras de cerca de 100 marcas de cada tipo de produto, colhidas em diversos estabelecimentos - supermercados, mercadinhos, mercearias - de 157 municípios paulistas.Foram escolhidos os mais conhecidos e de maior consumo. A lista: água mineral, arroz, feijão, fubá, leite, lingüiça fresca, massa fresca recheada, ovos, paçoca de amendoim, pães ricos em fibras e light, palmito, queijo minas frescal, salsicha a granel e sorvete em massa à base de leite.O material foi analisado pelo Instituto Adolfo Lutz. O relatório detalhado estava previsto para ser publicado em edição do Diário Oficial do Estado.Latorre afirmou que os produtos foram analisados sob três aspectos: microbiológico, físico-químico e rotulagem. "Constatamos desde falta de informações no rótulo até contaminação por microorganismos ou toxinas", informou. O campeão absoluto em problemas foi o pão, com 95% das amostras com irregularidades. O risco para a saúde, no entanto, não é grande."A irregularidade desse produto é a falta de informações no rótulo", disse Latorre. "Informa que é light, por exemplo, mas não diz se é em gordura ou açúcar." No caso do queijo, do sorvete, da paçoquinha e da lingüiça a situação é mais grave. No primeiro, foram encontrados coliformes fecais em 60% das amostras, e, no segundo, aflatoxina, que é cancerígena, em 35% das marcas."Além disso, também foi constatado um desbalanceamento nutricional na maioria das marcas de queijo", disse Latorre. "As análises revelaram que há um teor de gordura acima do especificado na embalagem." No caso dos outros dois itens, foram encontrados microorganismos em 57% das amostras de sorvete e em 27% das de lingüiça.O CVS não tinha, até esta sexta-feira, o levantamento completo de quantas marcas e de quais produtos teriam sua venda proibida. Isso será feito nos próximos dias, quando serão cruzados os dados das 24 Direções Regionais nas quais se divide administrativamente a Secretaria da Saúde.O trabalho faz parte do Programa de Análise Fiscal de Alimentos - Programa Paulista 2002, que teve por objetivo verificar se produtos alimentícios oferecidos no comércio varejista estavam de acordo com requisitos de qualidade e em conformidade com a legislação em vigor.Sem saber ainda dos resultados das análises do CVS, muitos consumidores continuavam nesta sexta-feira comprando os produtos potencialmente perigosos sem nenhum cuidado adicional àqueles que costumam ter. Foi o caso da enfermeira Meire Pereira, que foi até um supermercado comprar um queijo minas frescal. "Eu costumo verificar a data de validade, se o produto não está mole e a embalagem, estufada", explicou. "Nunca tive problemas. Mas acho bom que as autoridades estejam atentas e fiscalizem a qualidade do que está sendo vendido."No mesmo supermercado, a psicóloga Marly Wolk, se revelou uma consumidora mais exigente. "Eu levo muito em consideração a marca dos produtos que consumo", disse. "Tenho as minhas de confiança, que nunca me deram problemas. Vim comprar uma lingüiça, mas, como não tem a que eu quero, não vou levar de outra marca. De qualquer forma, penso que é importante que haja trabalho de fiscalização como esse (do CVS). Nem todo mundo toma os cuidados necessários com o que compra."

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