Vigilância nos aeroportos vai aumentar nas férias

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, admitiu, nesta terça-feira, durante audiência no Congresso, que, com a chegada das férias escolares, o governo poderá intensificar a fiscalização sobre as pessoas que vão viajar e suas bagagens, particularmente nos aeroportos.?Com segurança, não pode haver relaxamento, e se há um motivo para esse controle, ele não deixou de existir e não vai deixar de existir nas férias, ao contrário?, advertiu o general, esclarecendo que, com o fim das aulas, aumenta o número de pessoas que viajam e que precisam ser controladas.O general informou ainda aos parlamentares que entregou ao presidente Fernando Henrique Cardoso relatório concluído nesta terça pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), mostrando que hoje não já mais trotes com ameaças de bombas ou de presença de antraz no País.?É um indício de que aquele clima de pânico está passando e que se está chegando a uma situação mais racional?, afirmou.Segundo relatório da Abin citado pelo general, no mês de outubro a inteligência do governo registrou mais de 200 ameaças, que desviaram a atenção da polícia. ?Agora, esse número caiu para zero?, declarou Cardoso, esclarecendo que apesar desse dado animador, o governo não vai relaxar na averiguação das denúncias, que, mesmo quando são trotes, consomem trabalho dos policiais.Ele avisou, no entanto, que todas as denúncias continuarão sendo checadas. O general Cardoso esteve no Congresso para falar sobre as denúncias de que moradores da cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná e da região da Tríplice Fronteira teriam ligações com o terrorismo internacional ou poderiam remeter dinheiro a países de origem árabe para financiar este tipo de crime.?Hoje não temos condições de definir qual o destino do dinheiro que sai legalmente do Brasil e é enviado para uma determinada pessoa no exterior. Lá, o rumo que toma, não se sabe?, disse o general.Ele explicou que embora seja pouco provável que esse dinheiro se destine a financiar o terrorismo, ressalvou que não há como garantir que isso não aconteça.No último fim de semana, Fernando Henrique reconheceu que a região poderia estar envolvida em financiamento do terrorismo internacional.Na sua exposição aos senadores, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, o general Cardoso reiterou que ?não há possibilidade ou indícios? de que haja focos de terrorismo no País.?Portanto, chegou o momento de se parar de falar que existem células de apoio ao terror no Brasil, porque as evidências jamais existiram?, desabafou o general, depois de lembrar que um relatório do departamento de Tesouro norte-americano lista 60 países que poderiam financiar o terrorismo, e o Brasil não está incluído entre eles.Nesta terça, essa posição do governo brasileiro voltou a ser apresentada pelo general durante conversa com o general David Speer, do Comando Sul dos Estados Unidos, que o visitou.O senador Jefferson Peres (PDT-AM), presidente da comissão, ao final da reunião disse que o depoimento do general Cardoso tranqüilizou os parlamentares.?Ele afastou as suspeitas infundadas que pairavam sobre a comunidade árabe?, atestou.Apesar do esforço do general Cardoso e de vários parlamentares para deixar claro que a comunidade islâmica não é suspeita de nada, o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) aproveitou o encontro para pedir ao general Cardoso ?que livre a Amazônia dos afegãos?.É que na semana passada o presidente Fernando Henrique anunciou que o País receberá refugiados do Afeganistão. Quanto às denúncias de que as centrais telefônicas descobertas em vários pontos do País, particularmente no Paraná e São Paulo, poderiam ter sido utilizadas para fazer ligações para terroristas, o general Cardoso descartou essa possibilidade.?Era pura malandragem. Era estelionato puro?, declarou o general, ao comentar que o número de telefonemas dados para países de origem árabe era muito menor do que para os demais.O general garantiu que ?é muito baixa? a possibilidade de ocorrer um ato terrorista no Brasil, embora esteja consciente de que o País ?não está imune? a esses problemas. ?Nenhum país está?, disse ele. Além da Tríplice Fronteira, as atenções estão voltadas para as principais regiões metropolitanas brasileiras.

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