Viegas diz que ?setores? querem mudar regras de inspeção nuclear

O ministro da Defesa, José Viegas, rebateu hoje a afirmação de entidades internacionais de que o Brasil não está aberto a inspeções em suas unidades nucleares. Viegas acusou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de querer mudar as regras de vistoria, obrigando os países a divulgarem seus segredos comerciais. "Nós já fazemos e aceitamos as inspeções. Só não queremos que mudem nada", disse Viegas. "Há fatores e setores querendo mudar as regras." Viegas assegurou que o País "nada tem a esconder" na área nuclear. "O Brasil não abre mão de seus direitos, que não são apenas direitos brasileiros, são direitos de qualquer unidade produtora que tem de proteger seus segredos comerciais", disse. Ele explicou que o atual modelo de inspeção nuclear leva em conta a quantidade de urânio que entra nas unidades militares e a que sai para usos pacíficos, o que serve para se checar eventuais desvios de material para uso bélico. "Existe uma corrente que quer passar a investigar também o processo tecnológico", disse. "O problema é que a agência e outras instâncias estão querendo mudar as regras das inspeções", reafirmou. Na avaliação do ministro Viegas, o Brasil está fazendo um jogo "absolutamente aberto" ao não aceitar inspeções no processo tecnológico. Ele destacou que a tecnologia nuclear brasileira destina-se a produzir combustível nuclear para as usinas de Angra I e Angra II. "Nós não vamos dispor o nosso processo tecnológico, com riscos para os nossos direitos de propriedade", disse. "Ao contrário de outros países acusados há pouco tempo de desvio de material, o Brasil não tem nenhum problema. É preciso tratar diferentemente países que se comportam de maneira diferente." Viegas salientou que o governo brasileiro dá gara ntias totais de que não há risco de proliferação nuclear no Brasil. "É preciso deixar "bem claro" que o Brasil respeita "totalmente e absolutamente" as normas de inspeção nuclear. "O Brasil não tem nenhuma pretensão de desenvolver tecnologia nuclear para fins bélicos", afirmou. O ministro disse que o País é o único a possuir uma instalação militar que produz energia nuclear sob inspeção da agência internacional, e, se aceitasse as mudanças de regras de inspeção, abriria a possibilidade de sua tecnologia ser copiada, ou sofreria impecilhos para desenvolvê-la. "O que nós queremos é proteger nossa tecnologia do ponto de vista comercial, e não do ponto de vista do desvio da produção ou mesmo da produção de teores mais altos de urânio", afirmou. "Respeitamos totalmente e com a maior tranqüilidade os acordos de inspeção e salva-guarda da produção nuclear que temos com a agência atômica e, com a agência bilateral, com a Argentina."

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