Viegas diz que documentos sobre Araguaia foram destruídos

O ministro da Defesa, José Viegas, afirmou nesta terça-feira que todos os documentos das Forças Armadas sobre a Guerrilha do Araguaia foram "legalmente" e "oficialmente" incinerados. "Não há documentos guardados no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica. As informações foram destruídas legalmente, de acordo com as normas, sem violação", disse. "Não foram clandestinamente destruídas, foram oficialmente destruídas", reiterou. As famílias dos 69 militantes do PC do B mortos no conflito com tropas militares, nos anos 70 no Sul do Pará, aguardam até hoje uma posição oficial do Estado sobre a localização dos corpos e as circunstâncias das mortes.Viegas não deu detalhes da lei que teria tornado legal a destruição dos documentos sobre a guerrilha, um episódio que terminou no início de 1975, a menos de 30 anos. "Em todos os países há regulamentos de destruição de leis", disse o ministro, para depois corrigir: "destruição de informações, e não é uma lei, são várias", afirmou. A princípio, o ministro disse que os documentos foram incinerados "há muitos anos atrás". Depois, salientou que a queima ocorreu "antes do governo Fernando Henrique Cardoso". "Não é difícil encontrar (a norma que tornou legal o ato)", afirmou.Em 1993, as Forças Armadas repassaram ao Ministério da Justiça informações sobre a guerrilha, confirmando que até aquela data havia arquivos militares relativos ao episódio. Apenas uma ossada de guerrilheiro foi identificada até hoje pelos legistas. A ossada da militante do PCdoB Maria Lúcia Petit foi localizada em 1996 no cemitério de Xambioá, Tocantins.

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