Vídeo traz aliado de Arruda escondendo propina na meia

Deputados foram gravados pegando maços de dinheiro do 'mensalão do DEM' no Distrito Federal

Rodrigo Rangel e Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo,

29 de novembro de 2009 | 23h39

Novos vídeos sobre o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal revelado pela Operação Caixa de Pandora aprofundam ainda mais a crise política que pode custar o mandato do governador José Roberto Arruda, do DEM. As cenas mostram deputados escondendo dinheiro nos bolsos e até nas meias. As imagens, gravadas com uma câmera escondida pelo ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, Durval Barbosa, apresentam os bastidores do chamado mensalão do DEM e a divisão do dinheiro que, de acordo com a investigação, era proveniente de propina paga por empreiteiras e prestadoras de serviço.

 

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Deputados e aliados políticos de Arruda aparecem em gabinetes do governo embolsando dinheiro e falando abertamente sobre o esquema. O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente (DEM), aparece escondendo dinheiro nas meias e nos bolsos da calça e do paletó. Falta espaço na roupa do deputado para guardar os maços de notas de R$ 50.

 

Os vídeos mostram ainda um encontro de Barbosa com Marcelo Carvalho, executivo das empresas do vice-governador Paulo Octávio (DEM). Barbosa disse à PF e ao Ministério Público que era Carvalho quem costumava receber a parte do dinheiro que cabia a Paulo Octávio. Nas imagens obtidas pelo Estado, o executivo recebe uma pasta preta de Barbosa.

 

Boa parte das imagens foi gravada no escritório do ex-secretário, um dos responsáveis pela arrecadação de dinheiro entre empresas que mantinham contratos com o governo e pela distribuição dos pagamentos a integrantes do primeiro escalão e a políticos aliados. Conhecido em Brasília como "rei do grampo", por causa do hábito de gravar seus interlocutores, Barbosa resolveu revelar o esquema após fazer um acordo de delação premiada com o Ministério Público, que pode lhe garantir redução de pena em caso de condenação judicial.

 

BOLSA

 

Outros parlamentares aparecem nos vídeos. A deputada Eurides Brito (PMDB) entra rapidamente na sala e pergunta: "Cadê o Durval?" Barbosa pede que ela dê meia volta e tranque a porta. Os dois trocam poucas palavras, a deputada abre a bolsa de couro marrom e, na mesma velocidade com que chegou, joga para dentro cinco maços de dinheiro. A conversa prossegue. Eurides ainda ensaia uma crítica a Arruda. "Você não acha que o governador perdeu as estribeiras?", pergunta. Logo depois, sai da sala carregando a bolsa, agora cheia de dinheiro.

 

Em outro vídeo, o deputado Rubens César Brunelli (PSC-DF) entra na sala, recebe um maço de dinheiro e o coloca no bolso. Numa das gravações, Brunelli aparece rezando com Barbosa e com Leonardo Prudente. "Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos", diz o deputado, para em seguida pedir proteção à vida de Barbosa. "Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para nossa cidade", diz Brunelli.

 

O ex-secretário também gravou conversas com empresários apontados como contribuintes do esquema. Cristina Boner, dona da TBA, holding de Brasília que representa a gigante americana Microsoft, trata com Barbosa de um contrato a ser firmado com o governo do DF. Já nos minutos finais da conversa, o ex-secretário sentencia: "Vou fazer uma emergencial com você por cinco meses, mais a licença." No inquérito, há documentos indicando que R$ 50 mil pagos pela empresária a Barbosa foram repassados ao governador "para pagamento de despesas pessoais".

 

Outro financiador que aparece nas imagens é José Celso Gontijo, dono de uma das maiores construtoras de Brasília. Gontijo, a quem o secretário se refere como "Zé Pequeno", abre uma pasta, retira dois pacotes de dinheiro e os entrega a Barbosa. Os pacotes, com notas de R$ 50 e R$ 100, são postos sobre a mesa.

 

O escritório do ex-secretário era frequentado por lideranças de partidos aliados ao governo Arruda, que também aparecem recebendo dinheiro. Um deles é Luiz França, ex-presidente do PMN. Outro é o ex-administrador da cidade-satélite de Samambaia José Naves. Ele recebe oito maços com notas de R$ 50. Hoje, Naves é diretor-presidente da companhia de habitação do Distrito Federal. O ex-deputado Odilon Aires, atual presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do DF, também foi gravado recebendo dinheiro.

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