Vídeo de Serra ‘nazista’ põe PT na defensiva

Haddad atribui divulgação de rap que compara o tucano a Adolf Hitler em seu site a ação isolada de funcionário, que é ligado a marqueteiro

Bruno Lupion, de O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h01

A divulgação de um vídeo de um rapper que compara José Serra a Adolf Hitler no site oficial do candidato Fernando Haddad colocou na defensiva a campanha petista em São Paulo. O material foi posto na quarta-feira, 8, na página de Haddad e retirado na mesma noite, após mais de 7 mil acessos. A repercussão negativa causou a demissão do responsável pelo site e um embaraço para o marqueteiro João Santana, coordenador da propaganda petista.

Nessa quinta-feira, 9, Haddad disse que o vídeo é "inadequado", mas se eximiu de responsabilidade e descartou a possibilidade de pedir desculpas. A veiculação do vídeo no site oficial foi revelada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo.

"Não vi, mas considero correta a decisão que foi tomada pela coordenação da campanha de afastar o responsável", disse Haddad, durante visita à Cooperativa dos Catadores da Baixada do Glicério, na região central.

O episódio azedou o clima na equipe de comunicação de Haddad em uma semana que vinha sendo avaliada como positiva para o candidato e até então marcada pela sua proposta de criar o Bilhete Único Mensal. O funcionário do núcleo de internet e mídias sociais do petista, responsável pela divulgação do vídeo, não teve o nome divulgado. Ele é ligado a João Santana, cuja atuação foi mais uma vez colocada ontem em xeque por dirigentes do PT.

Em 2008, Santana envolveu-se em polêmica quando prestava serviços para a campanha de Marta Suplicy (PT) e produziu anúncio com insinuações contra Gilberto Kassab, então candidato do DEM. No programa de TV, o locutor perguntava se o prefeito era casado ou tinha filhos.

Segundo assessores, Haddad ficou "irritado" com a divulgação do vídeo do rapper em seu site.

Em público, a equipe do petista diz que a decisão de publicar o vídeo não passou por Santana, mas foi fruto de um "voluntarismo" mal pensado e isolado.

"Foi um erro. Profissionais cometem erros, e ele foi demitido por isso", disse o candidato petista. Alertado de que o advogado de Serra cogita pedir direito de resposta dentro do site do petista, Haddad desconversou. "Deixa ele à vontade", afirmou.

Uma espécie de videoclipe caseiro, o material de três minutos de duração foi produzido pelo rapper Mamuti 011, que afirma ter ficado irritado com o uso do nome de um festival de rap pela campanha de Serra e, como resposta ao tucano, lançou a peça no último dia 2 no YouTube. Ele diz que a campanha de Haddad não pediu autorização para colocar o vídeo na página do petista.

Segundo Mamuti 011, Haddad acabou utilizando a mesma prática de Serra que é criticada no vídeo: usar o rap para conseguir votos. Ele diz que tomou a iniciativa de fazer o vídeo após ler o nome do festival "Reviva Rap" citado em um texto da campanha de Serra como uma das realizações do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, inaugurado na gestão do tucano na Prefeitura no bairro Vila Nova Cachoeirinha, na região norte.

Para o rapper, Serra teria usado indevidamente o nome do festival em seu benefício e o vídeo seria uma forma de desmascarar essa apropriação. "Nunca tivemos benefício de nenhum partido para fazer o Reviva Rap; ele é fruto do nosso trabalho e bancado com dinheiro do nosso bolso", afirmou o músico.

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