Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

'Vida que segue', afirma Graça Foster

Após deixar o comando da Petrobrás, executiva opta por reclusão

FERNANDA NUNES E MÔNICA CIARELLI, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2015 | 02h00

Atualizado às 10h35

RIO - Após se despedir da Petrobrás na sexta-feira, 6, Graça Foster optou pela reclusão. No final de semana, decidiu permanecer em casa e não foi vista cumprindo rotinas tradicionais, como a caminhada diária e a missa de domingo. Procurada, nessa segunda, 8, pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Graça não quis comentar a atual situação da estatal e os episódios que culminaram em sua renúncia e de cinco diretores. "Vida que segue. Não quero falar sobre isso", limitou-se a afirmar.

Seu último ato na companhia foi apresentar ao Conselho de Administração, na sexta-feira, 6, o nome de quatro diretores que assumiram interinamente. Os executivos são nomes de confiança dos ex-diretores e agora serão responsáveis pela transição entre a atual e antiga gestão.

Uma fonte presente ao encontro do Conselho conta que Graça participou pouco, via videoconferência. Ela e os demais diretores que renunciaram aos cargos permaneceram no Rio de Janeiro, na sede da empresa. O presidente do Conselho, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, e os demais conselheiros estavam reunidos em São Paulo.

A previsão era que Graça fizesse, durante a reunião, um longo discurso de despedida, um desabafo da funcionária de carreira que começou na estatal como estagiária e chegou à chefia máxima da petroleira em 2012. O discurso não foi lido até o fim. Com a voz embargada, ela desistiu ainda nos primeiros parágrafos.

No sábado, em seu primeiro dia de ex-presidente da Petrobrás, Graça se manteve reclusa em sua residência, em Copacabana, zona sul do Rio. Garçons do bar em frente à sua casa contaram que não a tinham visto pela manhã, como costumava ocorrer. Segundo eles, era comum ver a "madrinha" - como a chamam por causa de sua influência - voltar da caminhada diária, acompanhada de seguranças, por volta das 7 horas da manhã, mesmo nos finais de semana.

Ela também não foi à igreja no domingo. Graça costuma frequentar a missa das 18 horas, na Paróquia São Paulo Apóstolo, próxima à sua residência.

A presidente Dilma Rousseff decidiu afastar Graça Foster da presidência da estatal após dificuldades da Petrobrás em apresentar o balanço do terceiro trimestre de 2014. A PriceWaterHouse Coopers resiste em assinar o balanço enquanto a estatal não apontar quais foram as perdas com as fraudes que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Graça sofreu forte desgaste político ao divulgar que os ativos da empresa foram inflados em R$ 88,6 bilhões. No governo, a divulgação desse número foi considerada uma "trapalhada" da ex-presidente.

Diretoria. Durante a reunião do Conselho, na sexta-feira, também houve mal-estar com o vazamento da escolha, por Dilma, de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobrás e de Ivan Monteiro para a diretoria financeira.  

A aprovação da nova diretoria seria o último ponto da pauta a ser debatido. Mas acabou antecipada depois que representantes dos acionistas minoritários e empregados foram surpreendidos com a notícia divulgada na imprensa de que Bendine seria o novo presidente.

Ao lerem em sites o nome do novo presidente - escolhido no dia anterior em encontro do qual participaram exclusivamente os representantes da União - os conselheiros independentes protestaram e acusaram o Palácio do Planalto de vazar a informação. A resposta de Mantega foi que a notícia era um "chute" da imprensa.

Os cinco executivos que pediram demissão da Petrobrás, na semana passada, inclusive Graça Foster, são aposentados ou estão em processo de aposentadoria. Aprovada a nova diretoria da Petrobrás, a equipe anterior se desligou completamente da empresa.

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