Vice-reitor é o mais votado em eleição na USP

O vice-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Adolpho José Melfi, foi o mais votado nas eleições para reitor nesta sexta-feira. Conquistaram lugares também na lista tríplice, que já foi entregue ao governador Geraldo Alckmin, o professor do Instituto de Ciências Biomédicas, Erney Plessmann de Camargo, e o diretor da Escola Politécnica, Antonio Marcos Massola. Apesar da vitória de Melfi, Alckmin não garantiu a escolha do mais votado, mas disse que na segunda-feira deverá ser anunciado o nome do 24º reitor da USP. O mandato de Jacques Marcovitch termina no dia 25."O resultado é um reconhecimento da gestão Marcovitch" afirmou o atual vice-reitor, que se candidatou pela segunda vez ao cargo. Se ele vier a ser indicado, o cargo que ocupa ficará vago. Pelo estatuto da universidade, terá de haver uma eleição em um prazo de 60 dias para a escolha de um vice-reitor.Melfi pretende iniciar uma reforma administrativa para dar mais agilidade à USP e uma avaliação institucional da universidade, caso seja confirmado como reitor. Como exemplo de iniciativas da atual gestão que devem ter continuidade, ele citou a criação de novos cursos e novas vagas e a redução de índices de evasão. "Poderemos continuar o que deu certo e modificar o que deu errado."Segundo o regulamento do processo eleitoral da universidade, poderiam ser realizados até três escrutínios neste segundo turno. Para entrar na lista tríplice, os candidatos precisariam receber a maioria absoluta dos votos (50% mais 1) em uma das duas primeiras votações. Como isso não ocorreu, a eleição foi decidida apenas no terceiro escrutínio, quando Melfi recebeu 145 votos. Camargo teve 107 votos e Massola, 85. "Como a eleição foi muito disputada, o governador fica mais livre para escolher qualquer um da lista", afirmou Camargo o segundo colocado. Faziam parte do colegiado do segundo turno, 283 eleitores, sendo 86,2% de professores, 12,7% de alunos e 1 1% de funcionários.Compareceram à eleição 245 pessoas. Nenhum dos 36 alunos (entre graduação e pós-graduação) que faziam parte do colegiado votou. A pró-reitora de graduação, Ada Pellegrini Grinover, que havia sido a segunda colocada no primeiro turno, ficou em quinto lugar com 48 votos. "Houve acordos para me tirar da lista tríplice", disse Ada, que chorou depois do anúncio do resultado. Melfi e Massola mantiveram suas posições da primeira etapa.Apesar de ameaças de estudantes de impedirem a votação, que consideram antidemocrática, houve só protestos na frente da reitoria. Apenas cerca de 100 alunos compareceram à assembléia organizada pelo Diretório Central Estudantil (DCE) e a maioria decidiu que nada seria feito para obstruir o pleito. O baixo número foi apontado como uma das razões para que a ação não fosse aprovada. "Diretas para reitor", gritaram os alunos, enquanto a eleição começava dentro do prédio. Alguns estudantes baixaram as calças como forma de protesto. Outros erguiam os colegas para simular aviões dos ataques terroristas aos Estados Unidos. "São protestos de uma minoria com argumentos infundados", afirmou o reitor Marcovitch. "Não há divergências acadêmicas e administrativas significativas entre os três candidatos", disse o procurador-chefe da USP, João Alberto Del Nero. Segundo Nero, com a vitória de qualquer um deles, não haverá uma ruptura na forma atual de gestão da universidade. "Nenhum representa uma oposição." Melfi e Massola têm cargos na administração Marcovitch.Essa é a terceira vez que Camargo se candidata a reitor da USP e seu nome já fez parte da lista tríplice duas vezes. Massola e Camargo fecharam um acordo e pediram votos para que os dois ficassem entre os mais bem colocados. O quarto lugar na disputa foi o pré-reitor de pesquisa Hernan Chaimovich (50 votos), seguido da pró-reitora Ada. Jair Borin foi o sétimo colocado, com 19 votos e Gil da Costa Marques, que já havia desistido da sua candidatura, recebeu apenas 1 voto.

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