Vice-reitor da UnB pede exoneração após dez dias de ocupação

Edgard Mamyia ocupava o posto de reitor da faculdade desde quinta-feira, após Mulholland pedir afastamento

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

12 de abril de 2008 | 21h38

O vice-reitor e reitor em exercício da Universidade de Brasília (UnB), Edgard Mamyia, pediu exoneração nesta sábado, 12, ao ministro da Educação, Fernando Haddad, em reunião em Brasília. Mamyia estava no posto desde a última quinta-feira, quando o reitor Timothy Mulholland pediu afastamento do cargo por 60 dias. Estudantes da UnB ocupam o prédio da Reitoria desde o dia 3 de abril, embora a Justiça já tenha concedido a reintegração de posse à universidade.   Veja também   Entenda o caso do reitor da UnB Após licença, estudantes da UnB querem agora saída de vice  Estudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupação MEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnB Justiça manda estudantes desocuparem Reitoria   As denúncias contra o reitor surgiram no início de fevereiro, em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. A universidade apareceu como líder no ranking de instituições federais em gastos com cartões, e Mulholland teria usado recursos públicos de uma fundação, no total de R$ 470 mil, para mobiliar o apartamento funcional ocupado pelo reitor.   Os alunos, que reivindicam a demissão de Mulholland, marcaram para segunda-feira assembléia para avaliar o movimento. Para sair do local, os manifestantes exigem o cumprimento de 18 reivindicações discriminadas em documento entregue ao Conselho Superior da UnB. "Nada menos do que isso nos fará deixar a reitoria", afirmou na quinta-feira o estudante de Letras, Eduardo Zanata, coordenador de Organização do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB. "A luta é contra a política de Timothy na administração da universidade, que inclui até corrupção. Queremos uma mudança da estrutura da UnB."   Menos de uma semana após a denúncia de desvio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Mulholland deixou o apartamento. Dos R$ 470 mil, ele admitiu ter gasto R$ 350 mil em móveis e utensílios. O reitor chegou a comprar uma lixeira no valor de quase R$ 1 mil. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal aponta que a Finatec gastou R$ 470 mil para equipar o apartamento de Mulholland.   Timothy Mulholland e o decano de administração da UnB, Érico Paulo Weidle, são alvo de uma ação na Justiça por improbidade administrativa. Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal, a Finatec - fundação ligada à UnB - gastou cerca de R$ 500 mil com mobília e decoração de um apartamento funcional que era ocupado por Mulholland. O dinheiro deveria ter sido usado em pesquisa científica.   (com Agência Brasil)

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