André Dusek|Estadão
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Vice-presidente nacional do PT diz que proposta de novas eleições pode ser solução para crise

Segundo José Guimarães, questionar se projeto passaria ou não na Câmara é 'mesquinho' e País não pode 'se recusar a discutir qualquer saída'

Julia Lindner e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2016 | 19h28

BRASÍLIA - O vice-presidente nacional do PT e líder da Minoria na Câmara, deputado José Guimarães (CE), disse nesta sexta-feira, 10, que a realização de uma consulta popular sobre novas eleições poderia ser a saída da crise política e econômica. Questionado sobre a viabilidade da aprovação do projeto na Câmara, o petista desconversou. "Não quero discutir esse negócio mesquinho de se tem ou não tem voto."

Para Guimarães, a presidente afastada Dilma Rousseff expôs nessa quinta-feira, 9, durante entrevista à TV Brasil, um leque de possibilidades para a crise brasileira. "O governo provisório não reúne condições para tirar o País da crise, não diz a que veio, (o ministro da Fazenda) Henrique Meirelles só fica fazendo firula. Então, consultar a população pode ser uma saída. Não podemos nos recusar a discutir qualquer saída", declarou o líder.

Questionado se a proposta seria tardia, como alegam alguns parlamentares, Guimarães negou. Para ele, "lá atrás" a crise não era tão grave e hoje a situação se agravou. "Agora é a hora, o assunto está maduro. Esse movimento tende a ganhar corpo dentro e fora do PT, os democratas do País não podem se recusar a discutir uma saída, pois todo mundo percebeu que esse governo não dá, é fraco, é frágil e sem corpo", criticou.

Somente o Congresso Nacional tem o poder de convocar um plebiscito. A proposta precisaria ser apresentada por no mínimo um terço dos senadores ou deputados e aprovada pelas duas Casas por maioria simples. Na noite desta quinta-feira, em entrevista veiculada pela TV Brasil, a presidente afastada admitiu pela primeira vez uma consulta popular caso ela reassuma a presidência da República

'Benéfica'. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE)  disse acreditar que uma consulta pública sobre novas eleições pode ser benéfica para todos em meio à crise política.

"Acho a atitude da presidente muito positiva. Se a população rejeitar as novas eleições no plebiscito, isso fortalece a continuidade do mandato de Dilma. Agora, se a proposta de novas eleições vencerem, elas vão legitimar o novo presidente da República", disse Costa.

O senador acredita que a proposta ainda é prematura, mas lembra que já tramita no Senado uma PEC que sugere um plebiscito para consultar a população sobre a realização de novas eleições. O projeto está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Apesar da PEC precisar ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, Costa acredita que a proposta pode ganhar viabilidade se houver apoio da opinião pública.

"Na política, aquilo que passa a ter uma importância para a população se torna viável politicamente e juridicamente. E, aparentemente, a proposta tem apoio da população", disse o senador. De acordo com Costa, o grupo de parlamentares que defende o projeto tem contado com cada vez mais apoiadores no Senado.

Apoio. O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), um dos idealizadores da proposta de antecipar as eleições presidenciais, elogiou a iniciativa de Dilma.

"Achei a postura extremamente positiva. Ela reconheceu a dificuldade de seu governo e demonstrou espírito público. Eu gostaria de ver o Temer se posicionando assim também", disse o senador. Para Cristovam, a população não estava satisfeita com o governo de Dilma, mas também não se entusiasmou com a gestão do presidente em exercício, Michel Temer.

Impeachment. O senador, que se diz indeciso quanto ao voto final do impeachment e pode ter um posicionamento definitivo para o retorno da presidente Dilma, disse que vai levar em conta essa iniciativa no momento de decidir o seu voto. "Não influencia o meu voto no sentido de estar determinado a votar a favor de Dilma por essa razão. Mas no sentido de avaliar, sim, vou levar em conta", disse o senador, ponderando que o julgamento é jurídico, "mas também político".

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