Vice-líder do PT na Câmara minimiza carta de Temer

Fontana disse ter 'convicção' sobre manutenção da aliança entre PT e PMDB; vice-líder do governo, Silvio Costa vê texto de peemedebista como 'desserviço'

Igor Gadelha e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2015 | 13h03

Atualizada às 13h52

Brasília - Seguindo a recomendação do Palácio do Planalto para não polemizar, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), um dos vice-líderes do PT na Câmara, avaliou nesta terça-feira, 8, que a carta enviada nesta segunda pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB) à presidente Dilma Rousseff faz parte de "divergências normais" que surgem ao longo de um governo. O petista disse ter "convicção" sobre a manutenção da aliança entre PT e PMDB e sobre o apoio de Temer ao governo diante da possibilidade de "golpe institucional", com a ameaça de impeachment da petista.

"A carta faz parte de uma crítica a alguns processos que ocorreram. São divergências normais que surgem ao longo de um governo", afirmou. "Temos convicção da aliança que temos com o PMDB". Na avaliação dele, as divergências com o PT são apenas de uma parte minoritária da bancada do PMDB ligada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que aposta no "quanto pior melhor". Segundo o petista, Cunha não tem legitimidade para deflagrar o processo de impeachment de Dilma. "A maioria do PMDB, liderada por (Leonardo) Picciani (RJ), é contra o impeachment", ressaltou.

A declaração de Fontana foi na linha da recomendação do Planalto. Como mostrou mais cedo o Broadcast Político, a ordem de Dilma é para que o governo silencie sobre a carta enviada ontem por Temer. No texto, o vice-presidente diz, entre outras coisas, que Dilma nunca confiou nele e no PMDB. Segundo interlocutores da presidente, a recomendação é "reserva e silêncio". "Não é para polemizar", afirmou um interlocutor. O objetivo é evitar um desgaste ainda maior na relação com o peemedebista.

'Desserviço'. Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Silvio Costa (PE) afirmou que a carta de Temer "foi inoportuna" e um "desserviço" ao País em um momento como o atual, com o processo de impeachment da presidente em andamento. O deputado deixou o PSC, por divergências com a direção do partido, que apoia o afastamento de Dilma.

"Lamento que Michel Temer, vice-presidente da República, neste momento, preste tamanho desserviço ao Brasil", afirmou ao sair do Palácio do Planalto, após reunião com líderes da base aliada e com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

Contrariando as ordens de Dilma para que haja "reserva e silêncio sobre carta de Temer", Silvio Costa disse ainda que o documento "não condiz com o caráter" do vice-presidente, mas fez uma provocação ao peemedebista. "Ele diz na carta que, no primeiro mandato, era uma figura decorativa. Se ele era uma figura decorativa por que aceitou ser vice no segundo mandato?", questionou.

Aliado do governo, Silvio Costa respirou profundamente antes de responder seu posicionamento sobre a carta e, após a declaração, encerrou a coletiva dizendo que "não queria falar muito, não".

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