Vice-líder do PMDB sugere apoio a Roseana

O PMDB está cada vez mais dividido. E até fala em apoiar Roseana Sarney (PFL-MA) para a Presidência da República. O vice-líder do partido, senador Gilvam Borges (AP), defendeu a revisão da candidatura própria, chamou a atenção para o potencial eleitoral da governadora do Maranhão e repeliu o apoio a uma eventual candidatura do ministro da Saúde, senador José Serra (PSDB-SP).Fiel correligionário do senador José Sarney (PMDB-AP), Borges ponderou que o crescimento de Roseana nas pesquisas altera o quadro da sucessão presidencial e os dirigentes do PMDB e dos demais partidos da aliança governista devem ter a responsabilidade de construir uma candidatura com condições de vencer a disputa. "Não aceitaremos um candidato goela abaixo", disse.Em seguida, ele apelou para que os líderes tenham maturidade e não tentem impor uma candidatura que possa desagregar. "Tentar impor a candidatura do ministro José Serra é um crime, e grande", afirmou Borges, argumentando que Serra é conhecido pela antipatia e isso inviabilizaria um diálogo com os demais líderes.O vice-líder do PFL, senador Edison Lobão (MA), reforçou o pronunciamento do colega, afirmando que não basta competência administrativa para um candidato vencer a eleição, é preciso ter também empatia com o povo. "Roseana reúne essas duas qualidades essenciais: governa bem e encanta o povo brasileiro", afirmou. "Como nós, da base do governo, podemos desperdiçar uma candidatura dessas? Só se quisermos perder as eleições", ponderou Lobão.Logo em seguida, veio a contestação do pré-candidato do PMDB à Presidência da República senador Pedro Simon (RS). Ele levantou a suspeita de que o ex-presidente José Sarney, pai de Roseana, está por trás do pronunciamento de Gilvam Borges. E afirmou que a candidatura própria do PMDB é uma questão de sobrevivência do partido.Simon relembrou os tempos áureos da luta contra o regime militar. Afirmou que, desde a morte do presidente Tancredo Neves, antes da posse, em 1985, o PMDB só perdeu credibilidade e não acrescentou nada à política nacional - "só tem nome e biografia". Disse que o PMDB precisa disputar a eleição com um candidato próprio para mostrar a sua cara, sua história e o que quer para o futuro.Simon disse ainda que, ao contrário de Borges, não acha Serra antipático. "Talvez ele não tenha o magnetismo do ex-presidente Fernando Collor nem a capacidade do presidente Fernando Henrique de agradar gregos e troianos, mas tem conseguido vitórias importantes, como essa da Organização Mundial do Comércio (OMC), e tem sido um ministro da Saúde dos mais competentes até hoje", elogiou, referindo-se à permissão para quebra de patentes em caso emergencial de saúde pública decidida na reunião da OMC realizada esta semana em Doha, capital do Catar.

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