Vice-governador de SP diz que Lula ´continua no palanque´

O vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), afirmou neste sábado, 6, que as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governo passado deixam claro que o petista "continua no palanque", mesmo depois do fim da campanha presidencial. Em solenidade no Palácio do Planalto, Lula voltou a criticar na sexta-feira, 5, o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.Lula classificou como irresponsável a atuação de Fernando Henrique na área de saneamento, atacou a política de privatizações do governo passado e afirmou que o atual governo dá exemplo para o mundo ao sancionar a nova Lei de Saneamento Básico."O Lula tem um problema de dupla personalidade: seu governo faz tudo o que o presidente condena", disse Goldman. "O Lula critica e se manifesta contra as privatizações, mas manda projetos nesse sentido para o Congresso", completou. O tucano citou o exemplo das PPA (parcerias público-privadas), proposta aprovada no governo Lula, que prevê a participação da iniciativa privada em empreendimentos estatais."O PPA nada mais é do que uma privatização. Há ações na área de privatização, como as concessões feitas nas rodovias brasileiras", afirmou o tucano. "É incompreensível o que o Lula critica", concluiu Goldman.Para o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), "tudo o que Lula fala não se escreve". "O presidente está comemorando o nada. Ele fala que tem terrorismo no Brasil, coisa que nunca existiu, e sai de férias", disse o pefelista.Na avaliação do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que foi ministro da Reforma Agrária no governo de Fernando Henrique, o presidente Lula faz comparações com seu antecessor porque não fez nada até agora. "O Lula não tem como se comparar com si próprio, como havia prometido, porque o Lula dois não existe: não apresentou um novo ministério e está de férias", disse Jungmann.Segundo ele, o PT trabalhou no Congresso contra a aprovação de um marco regulatório para a área de saneamento no governo de Fernando Henrique. "O PT se posicionou contra e fez de tudo para a que lei de saneamento não decolasse como fez também no caso da reforma da Previdência no governo passado", observou Jungmann.Ao sancionar, na sexta-feira, a nova Lei do Saneamento Básico, o presidente Lula avaliou que a legislação vai facilitar o repasse de recursos para o Estados e municípios, acabando com a "tortura" na liberação de verbas. E, ao contrário do que havia prometido no Natal, Lula retomou o discurso de comparação com o governo de Fernando Henrique Cardoso. No discurso, o presidente Lula disse que o governo precisa "trabalhar muito mais do que é previsível" para compensar as "irresponsabilidades" de seus antecessores.Lula lembrou que, há 12 anos, Fernando Henrique vetou projeto que instituía o marco regulatório do saneamento básico semelhante à lei sancionada na sexta-feira por seu governo. Na época, Fernando Henrique alegou problemas jurídicos A nova Lei do Saneamento foi aprovada em dezembro, antes do início do recesso parlamentar. Em seu discurso de improviso no Palácio do Planalto, o presidente Lula aproveitou ainda para culpar de forma genérica os seus antecessores pelo caos urbano nas grandes cidades.

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