Vice expõe conversa que incrimina governo Yeda

Em diálogo gravado por Feijó, chefe da Casa Civil dá a entender que Detran e Banrisul são grandes fontes de financiamento de partidos aliados

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

A divulgação de uma conversa do chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), com o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Afonso Feijó (DEM), mergulhou a administração de Yeda Crusius (PSDB) em sua pior crise. No diálogo, Busatto tenta convencer Feijó, que está rompido com Yeda, a se reaproximar do governo e dá a entender que o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) são grandes fontes de financiamento de partidos aliados, respectivamente o PP e o PMDB.Ao longo da conversa, Busatto tenta mostrar a Feijó, um empresário que ingressou na política como candidato a vice de Yeda, que quando um pequeno partido - como é o caso do PSDB no Rio Grande do Sul - ganha uma eleição precisa conquistar a maioria para se viabilizar e, para isso, "acaba tendo de fazer concessões importantes" aos aliados.Feijó chega a concordar com o aspecto político, mas questiona os motivos de o governo não interferir em órgãos e empresas sob suspeita de corrupção ou negócios malfeitos. "Por que encobrir o Detran?", indaga. "Desde 2003 eu sei que existe uma quadrilha no Banrisul, por que não querer mudar?" Uma investigação recente da Polícia Federal revelou uma fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran. Uma investigação em andamento no Tribunal de Contas tenta apurar se houve irregularidades na contratação de serviços de uma fundação pelo Banrisul.Na seqüência da conversa, o chefe da Casa Civil diz: "Todos os governadores só chegaram aí (ao poder) com fonte de financiamento, ou do Detran, do Daer (Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem). Quantos anos o Daer sustentou, na época das obras, fortunas, depois foi o Banrisul." Na seqüência, Busatto cita também a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Por fim, o chefe da Casa Civil insiste em que gostaria de encontrar formas de resolver o impasse para evitar uma crise.A gravação, feita no dia 26 de maio pelo próprio Feijó, foi entregue por ele à deputada Stela Farias (PT), uma das maiores críticas do governo Yeda na CPI que tenta apurar as responsabilidades políticas da fraude do Detran. A audição, no fim da tarde, colocou o Estado em polvorosa.Deputados do PT começaram a pedir a saída da própria governadora. "Ela tem de admitir os erros de seu processo eleitoral e renunciar ao cargo", afirmou Fabiano Pereira, presidente da CPI. "Nós vamos defender que a CPI relate ao Ministério Público que estamos diante de crimes eleitorais", complementou Raul Pont.No pior dia de sua gestão, a governadora Yeda Crusius manteve silêncio. Pela manhã, estava pressionada até por aliados a demitir seu secretário-geral, Delson Martini (PSDB), citado em conversas de pessoas acusadas pela fraude do Detran e convocado a depor pela CPI. Ao anoitecer, cerca de 50 estudantes ligados à juventude do PT estavam diante do Palácio Piratini, com caras pintadas, gritando palavras de ordem contra a governadora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.