Vice dos EUA diz que teve conversa 'franca' com Dilma sobre espionagem

Joe Biden teve encontro com a presidente na tentativa de normalizar as relações entre os países depois da denúncias de monitoramento e prometeu avançar nos debates sobre uso da internet

Ricardo Della Coletta e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

17 Junho 2014 | 14h05

Brasília - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta terça-feira, 17, que foi "franca e sincera" a conversa com a presidente Dilma Rousseff sobre o programa de monitoramento da Agência Nacional de Segurança (NSA), revelado no ano passado. Após a reunião, Biden reafirmou a intenção do governo norte-americano de garantir a privacidade dos cidadãos de outros países.

As informações de que a National Security Agency espionou empresas e cidadãos no País, incluindo a própria Dilma, motivou o cancelamento de uma visita oficial da presidente ao país, prevista para outubro passado. Em resposta, Dilma abordou o caso em seu discurso de abertura da Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) e propôs estabelecimento de uma governança global sobre a internet.

Depois da audiência nesta manhã, Joe Biden disse que o governo brasileiro já mostrou "liderança" na área de governança e que foi discutido como avançar nesse ponto. "Queremos a internet como um meio seguro e não uma ferramenta de repressão do Estado", disse Biden em declaração à imprensa na embaixada norte-americana, em Brasília.

O vice-presidente ponderou, no entanto, que o programa de monitoramento também é de interesse do seu país. "Sei que é uma questão importante para o Brasil, mas é também para o povo dos Estados Unidos", disse.

"O presidente Obama fez um exame completo sobre esse assunto e ordenou uma revisão do programa", lembrou Biden. Dentre os pontos alterados, segundo o vice-presidente, está a extensão, para cidadãos de outras partes do mundo, das mesmas garantias de privacidade atualmente asseguradas pela constituição dos EUA aos norte-americanos. "Continuaremos fazendo consultas próximas a nossos amigos e parceiros, como o Brasil".

Mais conteúdo sobre:
Biden EUA visita

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.